A GUERRA CONTRA OS VALORES

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Talvez não estejamos suficientemente atentos ao desmoronamento de valores ao nosso redor. Instituições afundam, mais de dentro para fora do que de fora para dentro, solapa-se a autoridade, passa-se por cima das leis, estampam-se números e pesquisas de opinião para provar que há um novo valor em curso, juízes não são ouvidos, protelam-se decisões, recorre-se indefinidamente a recursos jurídicos para escapar à aplicação da lei, mesmo com provas cabais e contundentes. Os mais ricos ou os alinhados ao grupo de poder raramente são punidos. Descobriram a eficácia do verbo adiar.
Leis que permitam a compra de camisinhas na lanchonete do colégio, leis em favor da maconha, da descriminalização do uso de drogas, proposta permissão da maconha enquanto se proíbe o cigarro, proibição de imagens de crianças na Internet enquanto cenas de novelas e filmes escancaram nudez e erotismo em horário nobre, pais que permitem à filha adolescente dormir com o namorado em casa, gente que simplesmente vai embora do casamento, da igreja, do partido pelo qual se elegeu, do grupo religioso, do clube, do emprego que lhe foi dado pelo patrão amigo, ingratos que não se sentem devedores a ninguém, nem mesmo a quem lhes deu a riqueza de hoje, tudo isso aponta para uma nova transvaloração: isto é: o que ontem valia não vale mais. Vale o indivíduo e seu direto supremo à felicidade. Hino à transvaloração é a canção de Bob Dylan The times, they are a changing.” No seu recado a pais, clero, congressistas , ao velhos, fica claro que os valores de ontem não servem mais.
Voltaram os iconoclastas, mas por incrível que pareça, eles se ocuparam o lugar dos ícones que derrubaram: Marx, Nietzsche, Lenin, Che Guevara, Madona, Lady Gaga, Michael Jackson, Elvis Presley, Beatles, Bob Dylan tornaram-se os ícones de toda um geração que veio substituir antigos valores e demolir suas estruturas.
Quebraram as velhas imagens, mas as suas, cuidadosamente retocadas, maquiadas, iluminadas e produzidas por um mefistofélico marketing, ocuparam as que eles ridicularizaram. Lady Gaga seminua engole um rosário, Michael Jackson coça a própria genitália em público, Elvis contorce a pélvis diante das mulheres em êxtase, Madona finge-se de freira erótica que seduz um santo, Nietzsche chama o cristianismo de o mais perigoso atentado contra a vida e declara que matar Deus é o supremo ato de transvaloração que existe.Marx declara a morte do capitalismo e questiona o direito de propriedade.
Toda uma geração voltou-se em direção oposta ao cristianismo e, após os anos 60, com o advento do grande marketing, da grande mídia e da mídia urgente e instantânea, a notícia é que os valores não valem mais e os novos valores valem o quanto você quiser que valham. A transvaloração deu em supremacia da vontade do indivíduo. Isso explica porque uma grande mídia que penetra todos o lares, num domingo pergunta a quem quiser opinar se é a favor ou contra as escolas venderem camisinha na lanchonete, junto com sucos e sanduíches… Camisinha tornou-se um bem urgente de consumo, porque o sexo se fez urgente e sem barreiras, sendo ela a única proteção para a saúde, num mundo sem muros e sem proibições. A idéia é a de que , se o faminto tem o direito de comer, não importa sua idade; quem tem fome de sexo e prazer tem direito de fazê-lo, não importa sua idade…
É a mensagem dos novos pregadores da era do idolatria do indivíduo, novo culto para o qual não faltam pregadores. Se o sujeito quer ele pode! Por isso, mudar de igreja, funda ruma nova, mudar de clube, de lar e de casamento, deixar o partido na hora em que quiser tornou-se lógico. Se lhe for vantajoso o indivíduo que é absolutamente soberano e esta acima da própria palavra dada esquece os juramentos, rasga o papel, paga a multa e redige novo contrato. O bem supremo é a sua felicidade pessoal. Se, com isso, outros sofrerão já é problema dos outros. Eles que busquem seus direitos…
Os novos pregadores da nova moral para um novo homem, em tempos novos, derrubaram as velhas propostas. No lugar, puseram as suas. O cinto de castidade virou camisinha que protege, mas não impede… Proibir nunca! Desproblematizar o risco, sim! O combatente de ídolos virou o que combatia e gostou!
Deu certo? Não tem dado! O que o ,mundo não gosta de lembrar é que grande número dos iconoclastas que, ressentidos contra o que viam, demoliram ídolos, dinamitaram alicerces, minaram fundamentos sociais, sacudiram seu tempo usando a arma do livro, da imagem, da canção e da mídia do seu tempo, e até de tomada de poder, grande número deles teve fim trágico ou pelas drogas, ou pela violência, ou porque enlouqueceram. Não foram dois nem dez. Foram centenas. Isto, sem contar que os novos ídolos que depuseram os velhos valores e impuseram os seus, como nas revoluções de sempre, depois das tomadas das Bastilhas e das Moncadas, mataram e prenderam até seus companheiros de luta. Se o deus Cronos engoliu seus próprios filhos para que não o derrubassem, os semi-deuses de agora como insaciáveis Pantagrueis, engolem todas as liberdades que podem.
Quem questiona o direito de mostrar o que se quer na mídia é cerceado por ser querer cercear. Mas, tendo o poder da mídia e a ditadura do marketing e dos ratings e ibopes a seu favor, os novos liberais forjam opiniões e depois pesquisam para ver quanto a forjaram. Vai todo mundo atrás dos números prévios, como se eles fossem os definitivos. O recado é claro: -Não vá contra a corrente, siga a manada se não quiser ficar no cercado e sem pasto… Deu nisso a guerra contra os valores! 
Padre Zezinho

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