A nossa crise é moral e não financeira

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Nosso país passa por uma crise sem precedentes na história recente em que há uma elevada taxa de desemprego e para quem tem trabalho, uma grande perca de poder de compra do trabalhador por conta da inflação. Sem querer ser pessimista, mas não vejo um cenário econômico tão favorável para que essa realidade mude forma tão rápida.

Quando se começa questionar as causas de uma crise como essa que vivemos, a primeira provável causa que vem em mente é o desgoverno, a incompetência, a corrupção e grande engano de nossa política nacional ser majoritariamente de pensamento marxista, que por essência fomenta a luta de classes e o combate aos valores morais, sobretudo os cristãos.

Mas infelizmente não é só isso, como se as questões acima já fossem poucas, mas se avaliarmos um pouco mais a fundo chegaremos a causas mais fundamentais do que essa. Nossa crise é sobretudo de ordem moral. Lamentável dizer isso, mas é uma crise moral.

O meu trabalho e o meu servir na comunidade em que sou servo me coloca em contato com muitas pessoas diariamente, de todos os níveis sociais e de instrução. Num mesmo dia, muitas das vezes o contato vai desde um renomado empresário a um morador de rua, às vezes no mesmo dia o contato vai desde um professor universitário com várias pós-graduações e que fala várias línguas a uma pessoa que mal sabe escrever o nome.

Obviamente não posso e não devo generalizar, mas algo que é muito perceptível em muitos é o espírito de corrupção. Há revolta generalizada em torno da corrupção política e com razão, mas o fato é que o povo de uma forma genérica também se comporta dessa forma. O famoso e diabólico jeitinho brasileiro, em muitos casos, nada mais é que a habilidade de se ter vantagem mesmo que forma ilícita com outra pessoa.  E o pior, há pessoas que se gabam pelos feitos.

São muitos os exemplos, desde o cidadão que pega o troco errado no mercado e não devolve a pessoa que compra gasolina mais barata por ser roubada pelo motorista do caminhão, a pessoa que sonega e não paga seus funcionários em dias, a pessoa que consegue roubar a senha do wi-fi, que compra peça de carro roubada, que tem o primo funcionário de algum órgão público que tem o “esqueminha” que o beneficia em licitações e/ou consegue empregá-lo sem que seja necessário trabalhar.

Quando se negocia com qualquer pessoa no dia a dia do trabalho, o maior temor nem é de estar fazendo um mau negócio, ou seja, de estar comprando algo que não precisa ou vendendo algo que não necessita ser vendido, mas sim, o temor é de ser lesado. O temor geralmente é de estar caindo em algum tipo de golpe e não necessariamente de estar fazendo um bom ou mau negócio. Pois, infelizmente, cada dia que passa não há como se ter o mínimo de confiança nas pessoas já que muitos, na primeira oportunidade, com o jeitinho brasileiro pode te lesar e ainda sair contando vantagem aos amigos como se fosse algo espetacular o que se fez.

Às vezes me pego a pensar nessas questões e percebo que a classe política é corrupta porque a população de onde saem os políticos também é. A pessoa que tem que o “esqueminha” com o primo que trabalha no órgão público e que vai ajudá-lo em uma licitação e enviar um produto 4, 5, 6x mais caro que o valor de mercado irá também se corromper caso chegue a algum cargo político, o que muda é a cifra, que antes algumas centenas de reais de vantagem econômica em um cargo público isso pode ser potencializado a alguns milhares de reais.

Uma grande prova disso são as eleições, pois pessoas e partidos que nem sequer deveriam ser aceitas para concorrer a um pleito eleitoral não só concorrem como tem eleitores e ferrenhos defensores. O clichê perigoso repetido sistematicamente por muitos é o “rouba, mas faz!” Como se já não fosse obrigação o político fazer algo até porque recebe muito bem para isso e o fato de fazer, se é que faz mesmo, não justifica o roubo.

Meses atrás, uma jovem moça, recém casada me falou que iria votar em um determinado candidato e quando perguntei o motivo, mal havia terminado de perguntar a resposta foi essa, ou seja, “rouba, mas faz”. Não me contive e com educação mostrei a ela que o candidato dela não tinha feito nem 10% do que falava e mesmo que tivesse feito não justificaria roubar. Mas ela insistiu na argumentação, então dei um exemplo da vida dela, perguntei se o marido dela era um homem e um bom marido e ela me respondeu que sim e então, eu disse a ela que isso dava aval para ele a trair, já que era um bom marido. Uma espécie de “pula cerca, mas faz”.

Assustadoramente as pesquisas eleitorais colocam candidatos que estão até o pescoço na lama da corrupção como postulantes reais a presidência da república. Quatro desses candidatos inclusive eram ministros do governo mais corrupto da história do Brasil.

Não bastasse a corrupção a sistemática insistência em destruir valores morais que nortearam nossa sociedade até o presente momento com leis das mais absurdas como aborto e a implantação no sistema de ensino de ideologia de gênero.

Mas mesmo assim o “rouba, mas faz” não causa repulsa generalizada na população, pelo contrário, mesmo com todas as provas ainda têm pessoas que defendem com unhas e dentes, partem para agressão verbal e física se necessário. Fazem questão de defender bandidos e de pessoas que vão contra nossos valores e que um dos objetivos é acabar com a cultura judaico-cristã. O simples fato de não concordar já é o suficiente para chamar o contrário de antidemocrático e fascista! Acredito que a maioria da pessoas que falam isso, mal sabem o significado dessas palavras.

Para piorar, ao passo dessa mentalidade temos outra tão grave quanto que é a glamorização da ignorância e do vitimismo. Simplesmente nauseante o orgulho que muitos têm por ser ignorante, por ser sem instrução. Absurdamente alguns falam e fazem questão de demonstrar sua ignorância como se fosse uma qualidade. Já outros glamorizam o vitimismo! E o discurso sempre é o mesmo! “Ah, porque eu nasci no lugar X”, “Ah, eu nasci pobre, estudei em escola pública”, “Ah, porque meus avós e tataravós vieram de tal lugar” e por ai vai. E essas questões, posturas e situações viram prerrogativas para o perene vitimismo perante a sociedade.

Obviamente o meio em que muitas pessoas nascem é importante para o futuro da pessoa, mas não é só isso, senão não teríamos tantos e tantos casos de pessoas que nasceram em berço de ouro e morreram sem patrimônio algum.

Falo por experiência, estou contemplando meus primeiros fios de cabelo branco, sou filho de um simples casal nascido e criado no campo que posteriormente se tornaram comerciantes no interior do estado de São Paulo. Meus pais quebraram no início da década de 90, eu e meus irmãos passamos por muitas dificuldades por isso. Fomos obrigados a mudar para o interior do estado do Tocantins, passamos por muita penúria. Havia dias que o que tínhamos para comer era arroz (de Terceira) e um pouco de jiló plantados na pequena roça que era para subsistência e para vender na feira, mas como verduras e legumes não crescem instantaneamente passamos por tempos dessa forma. Eu e meus irmãos pequenos ficávamos felizes quando víamos uma cartela de ovos. Morávamos em um sítio, além de ajudar a trabalhar na roça ainda tínhamos que andar por bons quilômetros na BR-153 de bicicleta para ir para a escola. Comecei a trabalhar com 8 para 9 anos de idade por realmente necessidade, desde essa idade já plantava verduras e legumes para poder comprar cadernos para estudar. Nem eu e nem meu irmão nunca perdemos um ano letivo mesmo com toda essa dificuldade, meu irmão, inclusive, um orgulho, pois se formou na maior universidade do Brasil e hoje é professor universitário.

Tenha descendência paterna japonesa e materna italiana, se voltarmos ainda mais tempo, meus avôs paternos quando vieram do Japão, vieram enganados atrás de um sonho. Venderam o pouco que tinha lá para comprar terras aqui, mas quando chegaram à realidade era completamente diferente. Não tinha essas terras tão baratas, pelo contrário, havia fome e as oportunidades de emprego eram nas lavouras de café na região de Sorocaba em troca de um lugar para dormir e um prato de comida. À noite, o local em que dormiam era vigiado por pessoas armadas para que não houvesse fugas. Meu avô me dizia que a primeira camisa dele no Brasil foi um saco de batatas, que ele furou o local para passar a cabeça e o pescoço. A história da vinda dos meus avôs da Itália é muito parecida também.

Posso até estar parecendo contraditório, já que parece que o vitimista aqui sou eu. Mas não é isso! Apenas contei um pedaço da história de minha família, pois com toda certeza é a história da família da grande maioria dos brasileiros.

Então, porque tanto vitimismo e glamorização da ignorância? Será que isso realmente irá adiantar para um futuro melhor? Será que isso não cria uma espécie de classe privilegiada e ai sim, uma desigualdade?

A estratégia de controle social e revolução cultural proposta pelos marxistas nos moldes de Antonio Gramsci que fazem no Brasil tem funcionado perfeitamente. Gramsci dizia “não tomem quartéis, tomem escolas e universidades. Não ataquem blindados, ataquem idéias.” Nossa política é quase que toda marxista e há anos estamos em um processo de revolução cultural na qual aos poucos que comportamentos e valores são lentamente modificados através de uma reengenharia social promovida através da cultura, música, literatura e educação. Assuntos que até pouco tempo atrás era um tabu hoje são tratados da forma mais natural possível como é o caso do aborto. Idéias e conceitos que há vinte anos seria tratado com deboche, hoje em dia é tema de conferência em universidades como a ideologia de gênero.

Mas esses valores não são impostos de uma vez, é sempre aos poucos! Primeiro, prepara a sociedade para receber essas questões de forma mais amistosa através da mídia e por formadores de opinião.

Nossa mídia é comprada de forma legal. Você mesmo pode constatar isso, basta assistir no horário nobre, o horário mais caro de divulgação, quase todos os comerciais são do governo ou de alguma estatal. Percebe-se um pouco menos em rádios e jornais.

De uma forma geral, brasileiro tem conhecimento raso em tudo, não tem profundidade em nada mais tem opinião de tudo. E claro, a opinião é quase que sacra, o contrário não se aceita. Alguns se julgam mais esclarecidos e claro, sabem opinar de tudo. Mas quando se dialogo com uma pessoa dessas e questionam suas fontes, coisa básica mesmo, como perguntar o livro que leu para formular uma determinada argumentação a resposta é quase a mesma, ou seja, nenhuma. Não se leu livro pra isso, são papagaios programados para repetir o que um grupo de pessoas quer que repita. A sedutora sensação de ser inteligente e Cult geralmente colocam muitos no mesmo patamar dos vitimistas e glamoriozos ignorantes, só que nesse caso, com uma boa dose de arrogância.


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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CAMINHO SAGRADO
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