A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Tempo de leitura: 13 minutos

“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna. Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” São João 3, 14-16

 

Certa vez, fui questionado por um amigo ateu, sobre quase todas as religiões terem pontos em comum, como fraternidade, amor ao próximo, respeito, etc. Esse amigo é um bom ateu, ou seja, um ateu por convicção e que por isso, não sente a necessidade de ofender ou denegrir a fé ou a religião de ninguém. Uma pessoa que sempre fala da fé cristã com respeito, sobretudo, da fé católica. Embora ateu, é mais agradável falar de Jesus com ele, do que com muitos que se dizem cristãos de outras denominações.

Mas foi um questionamento que me fez pensar por alguns minutos enquanto ele ainda continuava a dizer e pela graça de Deus, de seu Divino Espírito Santo tive a resposta. A grande diferença do cristianismo é que o Nosso Deus se faz homem, desce ao nível humano para se aproximar de seu rebanho, enquanto as demais religiões é o homem que precisa se elevar espiritualmente para ter contato com o deus de sua religião. Temos a graça de ter comunhão diária com um Deus vivo, que viveu todas as nossas mazelas, menos o pecado, conforme Hebreus 4, 15 “Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado.”

O Deus que tudo criou e por onde tudo vem se apequenou, se encarnou e viveu entre nós. Não nasceu em um palácio, mas sim, no que seria hoje, uma cocheira junto de animais. A Sagrada Família bateu em várias portas e em nenhuma houve espaço para Jesus nascer. Jesus nasceu no resto, onde ninguém dormiria, foi onde Jesus nasceu. Infelizmente, essa história hoje se repete na minha e na sua vida, quantas e quantas vezes Jesus tem apenas o nosso resto. O resto de nosso tempo, o resto de nossa saúde, o resto de nosso dinheiro, o resto de tudo.

Teve a vida simples e modesta com Nossa Senhora e São José, sem posses financeiras, conforme podemos ver em São Mateus 8, 20 “Respondeu Jesus: As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousas a cabeça.”

O Deus todo poderoso, que tudo fez, se fez homem, passou por todas as tentações, mas não pecou se fez pecado para nos salvar, conforme 2 Coríntios 5, 21 “Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus.”

 

Cordeiro de Deus

São João Batista, quando encontrou Jesus o chamou de “Cordeiro de Deus”, conforme São João 1, 29 “No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

No livro de Apocalipse, São João também e refere a Jesus Cristo como Cordeiro, conforme Apocalipse 5, 6 “Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de Pé, como que imolado. Tinha ele sete chifres e sete olhos (que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra).”

Para entender o melhor porque Jesus Cristo é chamado de Cordeiro de Deus, precisamos ir até o velho testamento, na lei de Moisés, conforme Levítico 4, 1-6:

 “O Senhor disse a Moisés: “Fala aos israelitas. Dize-lhes: quando um homem tiver pecado involuntariamente contra uma prescrição do Senhor, fazendo uma das coisas que e proibiu; se aquele que tiver pecado for um sacerdote ungido, de maneira que o povo se torne culpado, oferecerá ao Senhor por sua transgressão um novilho sem defeito como sacrifício de expiação.  Levará o novilho diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião, porá a mão sobre a cabeça do touro e o imolará diante do Senhor. O sacerdote ungido tomará o sangue do touro e o levará à tenda de reunião; 6. mergulhará o seu dedo no sangue e fará sete aspersões diante do Senhor, diante do véu do santuário. Em seguida, porá o sangue nos cornos do altar dos perfumes aromáticos que está diante do Senhor na tenda de reunião; e derramará o resto do sangue do touro ao pé do altar dos holocaustos que está à entrada da tenda de reunião.”

Era costume dos judeus sacrificar um cordeiro e após oferecê-lo diante do Altar sem sacrifício, aspergiam o sangue para purificação dos pecados. Por isso, Jesus Cristo é chamado Cordeiro de Deus. Esse sim, se ofereceu em sacrifício pela remissão de nossos pecados, conforme São João 1, 29 “No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

Jesus Cristo ofereceu a Deus Pai o sacrifício perfeito, entregando livremente para expiação de nossos pecados, conforme São Paulo narra em Gálatas 1, 3-5 “a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo, que se entregou por nossos pecados, para nos libertar da perversidade do mundo presente, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.”

A humildade e o amor de Nosso Deus é algo absolutamente constrangedor, pois, Jesus lavou e beijou os pés dos apóstolos horas antes de Sua prisão (São João 13, 1-11) e logo depois é traído com um beijo no rosto por Judas. O Deus todo poderoso, que se fez homem, se fez o mais humilde servo, lavou e beijou os pés dos Apóstolos mesmo sabendo que seria traído, é realmente algo muito profundo.

Podemos meditar esse mistério de Jesus Cristo, com a ajuda Dela, a Mãe de Jesus e Nossa Mãe, que esteve com Cristo desde o nascimento até a Cruz. O Santo Terço profundamente bíblico porque meditamos a Vida e a Paixão de Nosso Deus. No caso da Paixão, especialmente, o mistérios dolorosos.

 

Primeiro Mistério – A agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras

Nosso Deus muito mais que falava, Ele fazia! Ensinava pelo exemplo! Jesus sempre se retirava para orar e jejuar, especialmente, quando antecedia grandes momentos. Antes de Sua entrega não foi diferente, Jesus, se retirou para orar no Horto das Oliveiras e mesmo sabendo de tudo iria passar se manteve fiel até o fim. Sua humanidade se angustiou tanto que suou sangue, conforme São Lucas 22, 44 “Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.”

Tenho absoluta certeza, que Jesus mesmo nessa agonia humana, divinamente se lembrava de mim e de você. Lembrava da minha e da sua família! Lembrava de tudo que a humanidade sofreu, sofre e iria sofrer. Lembrava das minhas e das suas infidelidades. Lembrava dos servos fiéis e dos infiéis a Sua Igreja e tudo o que Ela iria passar.

Muito mais que fazermos parte da Igreja, nós somos Igreja, fazemos parte do Corpo Místico de Cristo, conforme 1 Coríntios 12, 12 “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo.” O Corpo de Cristo, através de nossa humanidade e mazelas, agonia até hoje. Veja como sofremos as injustiças e agonias desse mundo. Há momentos, que parece que o mundo está prestes a acabar não é mesmo.

 

Segundo Mistério – Prisão e flagelação de Jesus Cristo

A profecia de Isaías fala muito forte sobre isso, conforme Isaías 53, 7 Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.)” Foi definitivamente um ato de amor incondicional, o amor de Deus, o amor ágape.

Muitos acreditam que o coração é o símbolo do amor, mas para mim, acredito que o maior símbolo de amor é a Cruz. Talvez seja o único, pois Deus sendo amor como diz a Bíblia, todo amor vem de Deus.

Ainda fazendo um paralelo com nossos dias atuais, Jesus foi apresentando a Pilatos e Herodes, que se fosse hoje, nos dias atuais, seria o prefeito e o governador da cidade e do estado respectivamente, onde vivemos e ambos, não reconheciam o Senhorio de Cristo, pelo contrário, no caso de Herodes zombou de Jesus e entregou Cristo para flagelação atendendo o anseio popular.

Nos dias atuais o Corpo de Cristo ainda é flagelado por nossas autoridades, com a omissão aos mais necessitados, com a falta de investimentos justos e corretos em saúde, segurança e educação. É flagelado por tanta corrupção e pelo financiamento público de grandes campanhas contra os ensinamentos de Cristo e da Igreja, como por exemplo, o carnaval, as políticas abortistas e contra a família com a pseudo prerrogativa de ser contra o preconceito e assim por diante.

 

Terceiro Mistério – A coroação de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo

São Paulo diz na carta aos Hebreus que aquele que peca, escarnece e crucifixa Jesus Cristo novamente, conforme Hebreus 6, 6 “é impossível que se renovem outra vez para a penitência, visto que, crucificaram de novo o Filho de Deus e publicamente escarneceram.”

Como é forte essa passagem, muito comum também no nosso dia a dia. Às vezes até falamos muito de Cristo, mas vivemos o Cristo, conforme São Mateus 7, 21 “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

No livro de Apocalipse também fala sobre a verdadeira conversão, conforme Apocalipse 3, 15-16 “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! 16. Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.”

Como sempre digo adoração a Deus, é muito mais que se ajoelhar. Adorar a Deus é sobrar também nosso coração, nossos pensamentos, nossas vontades, nossas vidas. Claro, que os sinais exteriores, como ajoelhar-se também é importante, mas apenas o fato de ajoelhar-se não significa que estamos adorando a Deus.

Os guardas romanos na coroação de espinhos também se ajoelhavam, conforme São Marcos 15, 19 “Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.” 

Que o nosso joelho no chão seja muito mais que uma parte do corpo no chão, mas sim, que nosso ser verdadeiramente se curve diante de Cristo.

 

Quarto Mistério – A subida dolorosa ao Calvário

Jesus após ter ficado a noite sem dormir, sem comer e ainda ter apanhado muito, humilhado, talvez querendo apenas um abraço de Sua Mãe, um abraço meu e seu, mas nada disso teve. Certamente já humanamente fraco, talvez com febre e seu Corpo tomado por dores devido inúmeros ferimentos devido ao flagelo, mesmo assim, estava pensando em nossa felicidade e nossa proteção.

Uma multidão de mulheres chorava e lamentava ao ver Jesus carregando Sua Cruz, mas mesmo assim ele não preocupava com Sua Cruz, mas sim, com seu rebanho, conforme São Lucas 23, 28 “Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.”

Jesus carregou sobre isso todos os nossos pecados, o peso da Cruz foi muito mais que físico, mas foi o peso por todos os pecados da humanidade. O peso da Cruz foi pela salvação de todos nós.

 

Quinto Mistério – A crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo

“Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” Filipenses 2, 6-8

Absolutamente desconcertante a fidelidade e obediência de Jesus Cristo a Deus Pai até o fim. Nosso Senhor não cobrava de ninguém aquilo que Ele não vivia. Jesus muito mais que falava, Ele fazia.  Podemos ver Ele mesmo dizendo em São 11, 29 “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.”

Humanamente, Jesus sofreu muito! Após horas de prisão, humilhação e flagelação, Cristo ficou por três horas crucificado e agonizando até Sua Morte e mesmo assim não murmurou. Pelo contrário, pediu perdão ao Pai pelos erros de seus algozes, conforme São Lucas 23, 34 “E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.”

Que Deus tenha misericórdia de nós, de nossas infidelidades e mazelas, de nosso murmúrio, de nossa preguiça e de nossa hipocrisia. Que realmente possamos muito mais que falar de Cristo, possamos verdadeiramente viver Cristo. Reclamando e murmurando menos, perdoando mais, sendo verdadeiramente fiel desde as pequenas coisas e que muito mais que os joelhos dobrados, estejam com nossos corações dobrados diante do Senhor.

 

A Paz!


Fernando Y. Kanizawa

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