As novas antigas heresias

Tempo de leitura: 9 minutos

Vivemos em tempos de grande crise, os valores basilares que norteiam nossa sociedade são atacados implacavelmente. Não estou aqui como “profeta do Apocalipse”, mas vendo como estamos numa grande confusão ideológica e de identidade, me lembro muito de passagens como, por exemplo, São Marcos 13, 19-20 Porque naqueles dias haverá tribulações tais, como não as houve desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem haverá jamais. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria; mas ele os abreviou em atenção aos eleitos que escolheu.”

São Paulo, também nos alerta em 2 Timóteo 3, 1-5:

 “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!”

Se avaliarmos como está nossa sociedade, o comportamento das pessoas, o crescimento do paganismo, a negação de Deus, o materialismo, etc, podemos nos enquadrar nessa época em que a Sagrada Escritura menciona.

A nossa civilização passou por grandes períodos, nos primeiros séculos do cristianismo, houve um processo civilizatório através dos ensinamentos de Jesus Cristo. A sociedade pagã foi aos poucos se convertendo ao cristianismo até que o ano 300 d. C., o imperador Constantino proibiu a perseguição dos cristãos. No período conhecido como idade média, tivemos grande crescimento cultural e filosófico, tivemos grandes avanços na moralidade, tendo como base a doutrina da Igreja Católica, como podemos ver no livro de Thomas Wood “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização”.

Hoje, vivemos a negação disso! Certamente não começou recentemente, é um pensamento que vem se construindo e se estruturando certamente desde o período que conhecemos como “iluminismo”. Obviamente, como todo período ou quase todo período histórico, temos pontos bons e pontos ruins. Portanto, não estou aqui demonizando o iluminismo, mas podemos entender que o que vivemos hoje pode sim, ter começado nessa época.

Estamos em uma grande confusão social e espiritual. Tem-se a impressão muitas das vezes, é que não temos nem mesmo uma identidade definida. A impressão que tenho, é que a grande maioria das pessoas não sabe o que pensar e o que fazer. Mas também, não buscam entender os motivos pelos quais estamos passando por isso. Em sua grande maioria, são muito superficiais, não sabem de nada, mas têm opinião de tudo. E claro, a opinião deles é uma verdade suprema.

A Igreja Católica passou por épocas em que teve que combater muitas heresias, foram grandes períodos que muito sangue cristão foi derramado em nome do Santo Evangelho de Jesus Cristo. Foram muitas heresias, mas destaco quatro delas, que são: o gnosticismo, o arianismo, o pelagianismo e o nominalismo.

Infelizmente essas heresias já combatidas e refutadas pela Igreja, renasceram com outros nomes, vejamos uma a uma:

 

Gnosticismo

Foi uma das primeiras heresias combatidas pela Igreja, se originou no primeiro e segundo século da era cristã é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas. Chegou se travestir de cristianismo. Foi combatido por Santo Irineu de Lyon.

Essa idéia foi construída através de leituras do Pentateuco e outros escritos bíblicos, esse sistema acreditava que o mundo material era criado por emanação do Deus supremo, prendendo a faísca divina no corpo humano. Esta faísca divina poderia ser liberada pela gnose desta faísca divina.

Ou seja, essa heresia dizia que o ser humano é um ser divino, só basta descobrir usa centelha divina. Essa busca vem através do conhecimento, conhecimento deles, gnósticos, claro. Segundo o gnosticismo você e eu somos ser seres divinos, mas não sabemos. Podemos ser, bastando apenas encontrar nossa centelha divina.

Muito embora essa heresia tenha sido fortemente combatida pela Igreja, na verdade vive até hoje. Podemos encontrar com muita facilidade esse pensamento em livros de auto-ajuda carregados de um psicologismo e de uma pseudo espiritualidade, infelizmente, alguns rotulados como livros cristãos.

Esse pensamento, inclusive influenciou pessoas como Martin Lutero, pai da reforma protestante e algo muito semelhante até os dias atuais assemelham-se bastante com o pensamento gnóstico. Basta você aceitar Jesus, que está tudo certo! O aceitar Jesus é a mesma coisa que descobrir sua centelha divina.

O próprio Cristo vai dizer em São João 15, 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.” Também podemos ver São João 6, 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.”

 

Arianismo

Foi um grande movimento herético combatido pela Igreja, começou por volta do ano 319 d. C., quando Ário começou a postular e propagar que Deus Pai e Jesus Cristo não tinham a mesma essência, ou seja, negava a divindade de Cristo. Dizia que a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria.

Essa heresia foi muito forte na época, chegou ameaçar a unidade da Igreja, e por isso, foi convocado o Primeiro Concílio de Nicéia, onde as propostas arianas foram condenadas e consideradas heréticas.

Deus em sua imensa misericórdia, sempre envia seus santos, e nessa época, tivemos Santo Atanásio de Alexandria, que combateu fortemente essa heresia.

Atualmente, vivemos essa heresia. Por mais contraditório que seja, há instituições que se dizem cristãs, mas negam a divindade de Cristo. Um exemplo, os Testemunhas de Jeová, que dizem em seu próprio site, que dizem orgulhosos de serem chamados de cristãos, mas não acreditam que Jesus e Deus Pai tem a mesma essência.

Temos muitos outros casos semelhantes, como no espiritismo, quem em todas as suas vertentes, acreditam que Jesus é um espírito elevado, mas que não seja Deus. Assim também como no budismo, hinduísmo, etc.

Para nós, que acreditamos na Bíblia e temos Jesus Cristo como Senhor e Deus, podemos ver em Filipenses 2, 5-7 “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens.”

 

Pelagianismo

É um conceito teológico que nega o pecado original e a corrupção da natureza. Dizia que o homem é o único responsável por sua salvação e que não necessita da graça divina para alcançar a salvação.

O termo é derivado de Pelágio de Bretanha e foi combatido fortemente por Santo Agostinho de Hipona. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo e embora considerasse Adão como “um mau exemplo” para a sua descendência, suas ações não teriam conseqüências para a mesma, sendo o papel de Jesus definido pelos pelagianos como “um bom exemplo fixo” para o resto da humanidade (contrariando, assim, o mau exemplo de Adão), bem como proporciona uma expiação pelos seus pecados, tendo a humanidade em suma, total controle pelas suas ações, posteriormente Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência.

Essa heresia vive até os dias de hoje, muitas denominações cristãos, não acreditam, por exemplo, que o batismo é para remissão dos pecados, mas sim, um sinal de aliança do Cristo.

 

Nominalismo

Essa doutrina não admite a existência do universal (conceito abstrato), nem do mundo material. Surgiu em sua forma mais radical no século XI por intermédio de Roscelino de Compiègne. Esse atribuía universalidade aos nomes, daí a origem do termo.

Os nominalistas acreditam que todas as substâncias são singulares e que a única diferença são os nomes. A única coisa que existem são nomes puros, e, portanto, eliminam a realidade das coisas abstratas e universais.

Atualmente um grande problema, é a ideologia de gênero tem como base o nominalismo, em que consiste que não existe homem ou mulher, mas sim, é a mesma substância separada apenas por nomes, ou no caso, gênero masculino e feminino. Realmente é um grande problema em nossa sociedade.

 

Nossa realidade

Infelizmente vivemos todas essas grandes heresias atualmente juntas, misturadas e muitas vezes travestidas de cristianismo. Vivemos nesse turbilhão de idéias e conceitos e muitas das vezes não sabemos discernir se é bom ou ruim, se é cristã ou não e acabam muitas vezes defendendo algumas bandeiras acreditando estar defendendo Jesus Cristo e o cristianismo.

O profeta Oséias vai falar no capítulo 4, versículo 6 porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, excluir-te-ei de meu sacerdócio; já que esqueceste a lei de teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos.”

São ideologias que bombardeiam nossas famílias e infelizmente, aos poucos vão desconstruindo nossos valores e nossa moralidade. Mais grave ainda, é que o vírus da apostasia aparentemente destruiu até os anticorpos de defesa, pois a prostração dos cristãos frente a esses problemas é muito grande.


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa

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