Carta do Arcebispo de Goiânia acerca da ideologia de gênero, aborto e os ataques contra a Igreja

Tempo de leitura: 4 minutos

Caros irmãos, caras irmãs

A vida em uma sociedade se constrói tendo como base a sua cultura, pois
cada cultura possui um quadro de valores, passados de geração em geração,
que formam as pessoas, suas convicções, seu modo de agir e de se relacionar.

Os valores de uma determinada cultura se perpetuam de geração em geração,
principalmente por meio da autoridade da família, da escola e da Igreja. Esta
constatação não deve, porém, nos fazer esquecer que, desde que foi
inventada, na década de 30, a televisão vem se tornando não só um potente
meio de comunicação, mas também um eficaz instrumento para influenciar a
formação da cultura pois, por meio de seus programas, também propõe
valores ou contravalores, que influenciam o modo de viver das pessoas.

Quando, por meio deste canal formativo, são transmitidos bons conteúdos,
como às vezes acontece, as pessoas são edificadas e a sociedade se constrói
positivamente. Entretanto, esse meio de formação pode se tornar um
instrumento eficaz de ideologização e convencimento que termina por
produzir um processo de destruição das pessoas e da sociedade. Nos últimos
tempos, dois programas da televisão brasileira foram usados para semear confusão e mentira, acabando por ferir a sensibilidade de muitos brasileiros.

O primeiro deles é a série Malhação, da Rede Globo de Televisão. Em um de
seus capítulos, dois jovens aparecem ensinando como “não pagar mico
quando o assunto é gênero e sexualidade”. Jogando com as palavras “sexo
biológico, identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual” e
explicando-as segundo a compreensão da falsária Ideologia de Gênero, os
artistas defendem a liberdade sexual e a diversidade, sem qualquer vínculo
com a verdade sobre a pessoa, que está expressa no e através do corpo. Essas
ideias acabam por promover o liberalismo das experiências sexuais, sem
qualquer vínculo com uma ordem moral, ou seja, terminam defendendo que,
em nome da liberdade, no campo da sexualidade tudo é possível.

Infelizmente, os contravalores transmitidos por este e outros programas
televisivos estão atrelados a outros tantos males devastadores, defendidos
pela Ideologia de Gênero em todos os seus matizes e propostas. Um deles é a
legalização do aborto, que voltou à cena principal em virtude da Arguição de

Descumprimento de Preceito Fundamental 442 (ADPF 442) ajuizada junto a
Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Em nome da liberdade, defendem tratar o problema em questão sem
considerar que estão em jogo duas vidas a serem protegidas, a da mulher
gestante e a do bebê, propondo que se escolha tirar a vida inocente e indefesa
do nascituro.

O segundo programa televisivo em questão é a novela bíblica da Record TV,
chamada Jesus. Na novela, a Santíssima Virgem Maria, a mãe de Jesus, é
apresentada de modo discordante com as afirmações feitas na Sagrada
Escritura e na Doutrina da Igreja Católica. Ela é figurada como Mãe de
outros filhos, negando a sua Virgindade perpétua, isto é, negando que ela era
virgem antes do parto e se manteve virgem durante e depois do parto, sendo
Mãe apenas do seu Unigênito, Jesus. Além disso, o modo como Maria se
comporta na sua relação com José ofusca a sua pureza e, por isso, fere sua
dignidade de Mãe de Deus e Imaculada desde a sua concepção. Este modo
de apresentar Nossa Senhora fere frontalmente a sensibilidade do povo
brasileiro, na sua maioria católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida.

A televisão deveria servir para a edificação de uma nação, mas infelizmente
isso não acontece com frequência. Por isso, convido a todos os católicos e
pessoas de boa vontade a sermos prudentes e críticos no uso desse
instrumento, não assistindo qualquer programa e não aceitando
acriticamente as afirmações feitas através desse meio de comunicação.

Convido, de modo ainda mais vivo, a sermos rigorosos no discernimento
sobre a permissão para o acesso das crianças e dos adolescentes aos
programas de televisão. Estas duas etapas da vida, fundamentais na
formação do caráter da aquisição dos valores, são as mais vulneráveis ao
processo de ideologização que marca o Brasil atualmente. Por isso, devemos
cuidar para que nossos filhos, se estritamente necessário, tenham acesso
somente a conteúdos que correspondem à verdade sobre o homem e que
possam edificá-los na verdadeira fé da Igreja.

Em face aos programas mencionados e a todos os fatos ligados a eles, desejo
manifestar minha perplexidade e minha reprovação. Sinto-me no dever de
pastor de denunciar e repudiar tudo que fere a verdade sobre o homem e
sobre a nossa fé, a fim de que nossas famílias possam ser fortalecidas e
possamos construir, juntos, um Brasil melhor, em que elas sejam respeitadas.

Rezemos a Jesus e a Nossa Senhora para que nosso país reaja contra esta
tentativa de desconstruir o ser humano, tal como a natureza no-lo faz ver e a
teologia da criação nos ensina.

Goiânia, 10 de agosto de 2018.



Dom Whashington Cruz
Arcebispo Metropolitano de Goiânia

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