Casais de segunda união e o acesso a Comunhão

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Segunda Uniao

Ao contrário do que muitos pensam os casais de segunda união ou recasados não estão excomungados da Igreja.  Embora muitas das vezes, algumas pessoas assim o pensam, o Catecismo da Igreja Católica, no § 1651 vai dizer “A respeito dos cristãos que vivem nessa situação e geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Igreja, pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Igreja: Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus”.

Portanto, a acusação de que a Igreja excomunga as pessoas que infelizmente, contraíram matrimônio e por situações diversas, tiveram que se divorciar é mentirosa. Papa Francisco recentemente disse que essa questão é maior ferida que a Igreja tem atualmente.

Infelizmente a grande maioria das pessoas limita esse problema apenas a liberar ou não a comunhão para os divorciados, mas a questão é bem mais profunda do que isso.
Vamos primeiramente, entender o que é matrimônio

Sacramento do Matrimônio

A palavra sacramento significa juramento, portanto, quando participamos de um sacramento estamos fazendo um juramento. Assim como os demais sacramentos, o matrimônio também foi instituído por Jesus Cristo.

A única religião em que o matrimônio é um sacramento, portanto, indissolúvel é na Igreja Católica Apostólica Romana. Por fidelidade a palavra de Deus, conforme São Marcos 10, 11-12 “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério”.

Algo muito curioso é que algumas pessoas acusam a Igreja de não ser fiel a Bíblia, chegam a dizer que vivemos um cristianismo “paganizado” e geralmente, são essas mesmas pessoas que a criticam por ser tão “rígida” nessa questão do casamento. Ou seja, qualquer porrete serve pra bater na Igreja. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo por isso, pois Ele mesmo disse isso em São João 15, 20 “Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu Senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa”.

O Catecismo Maior de Pio X, no § 827, diz “O matrimônio foi instituído pelo próprio Deus no Paraíso terrestre; e no Novo Testamento foi elevado por Jesus Cristo a dignidade de Sacramento”. Parece ser uma simples frase, uma simples afirmação, mas não é. Atualmente o matrimônio é atacado de todos os lados. Querem “desacralizar” o matrimônio, o tornando apenas um contrato civil entre pessoas, sendo do mesmo sexo ou não. Mas na verdade, o estado não inventou o matrimônio e sim, apenas o reconheceu. A Igreja defende alguns valores, que na verdade também não foram inventados vamos assim dizer pela Igreja, mas sim, são de ordem natural. O casamento é de ordem natural, ou seja, um homem e uma mulher se unem para formar uma família.

Como diz o Catecismo Maior de São Pio X, o matrimônio foi instituído pelo próprio Deus, conforme Gênesis 2, 22-24 “E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. Eis agora aqui – disse o homem – o osso de meus ossos e a carne de minha carne, ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem. Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unira sua mulher; e já não são mais que uma só carne”.

E no próprio catecismo vai dizer que foi elevado a sacramento por Jesus Cristo. Podemos ver isso em São Mateus 19, 6 “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o que o homem o que Deus uniu”.

São Paulo compara o amor de marido à mulher ao amor de Jesus Cristo pela Igreja, conforme Efésios 5, 25 “Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. No sacramento do matrimônio é a união apenas de homem e de mulher, mas sim, de homem, mulher tendo como centro o próprio Cristo. Fazemos parte do Corpo de Cristo, conforme Romanos 12, 4 “Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro”.

Veja que o homem e a mulher juntos formam um só carne (conf. Mt 19, 6) e que essa carne é a imagem de Deus, conforme Gênesis 2, 27 “Deus criou a o homem a sua imagem; criou-o a imagem de Deus, criou o homem e a mulher”. Portanto marido e mulher, são uma só carne, são imagem do próprio Deus. São Paulo finaliza o capítulo 5 de Efésios, no versículo 33 “Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido”.

SACRAMENTO-DEL-MATRIMONIO

Acesso aos sacramentos ao recasados

A Igreja muitas das vezes é mal compreendida, mas a Igreja é mãe e toda mãe cuida de seus filhos. Vamos pegar um exemplo muito simples e muito comum, como as crianças que tem resistência a lactose. Uma mãe que tem um filho com esse problema, mesmo que o filho queira muito e chore querendo algum produto que tenha lactose, seria correto a mãe dar? Certamente não, o fato da mãe querer agradar o filho, não quer dizer que esteja fazendo algo bom para ele.

Assim é a questão do acesso aos sacramentos para as pessoas em segunda união, o fato da Igreja não autorizar pessoas de segunda união, ou melhor, pessoas que estejam em pecado mortal a acesso a comunhão é para o bem das pessoas e não o contrário disso. A Igreja é fiel a palavra Deus, conforme 1 Coríntios 11, 27-29 “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a sai mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”. Portanto, a Igreja é fiel a Palavra de Deus e fiel a sua missão, que é de conduzir o rebanho do Senhor a Salvação.

A nossa fé, a Igreja não recomenda à comunhão as pessoas que estejam em pecado mortal, por isso, recomenda a confissão, no mínimo uma vez ao ano. Mas que se tenha o perdão na confissão há que se ter o sincero arrependimento e a vontade ou a disposição de não cometer mais o mesmo pecado. Como a Igreja não reconhece um segundo casamento, mesmo que seja civilmente válido, essas pessoas estão em adultério, portanto, em pecado mortal.

Nesses casos, para que a Igreja autorize a comunhão, pede para que os casais vivam como irmãos, ou seja, sem relações sexuais. Isso não sendo possível por inúmeros fatores, como por exemplo, em alguns casos apenas um dos cônjuges tem vida de comunidade e por isso, entende e tem maturidade o suficiente para tal decisão, mas o outro não tem, a Igreja recomenda a comunhão espiritual.

A comunhão espiritual é a vontade profunda de poder comungar o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pode até parecer um pensamento relativista, mas acredito que muitas pessoas com a comunhão espiritual, têm comunhão mais profunda com o Senhor do que alguns que comungam fisicamente Nosso Senhor. É triste ver algumas pessoas, que conversam o tempo todo durante a Santa Missa, às vezes têm uma vida totalmente fora do que Deus nos pede e mesmo assim comungam, não distinguem o Corpo de Nosso Senhor, acham que é apenas um simbolismo.

A Eucaristia não é simbolismo! É o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor, conforme 1 Coríntios 11, 24-26 “depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois da haver ceado, tomou também o cálice dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”.

Assim como a comunhão, a pessoa em segunda união também não pode ter participar do sacramento da reconciliação, ou seja, da confissão. Mas essa pessoa pode e deve regularmente consultar um bom sacerdote para orientação.

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Nulidade matrimonial

A nulidade não é o cancelamento do casamento ou o divórcio. A nulidade é a constatação através de um Tribunal Eclesiástico que o matrimônio nunca existiu, pode ter havido a festa, a celebração, mas o matrimônio em si nunca existiu. Foi apenas um teatro, vamos assim dizer, pois como mencionamos acima, o matrimônio é a união entre duas pessoas, se tornando uma só carne e o fato de, por exemplo, a pessoa casar, já pensando na possibilidade de se separar esse casamento não é válido. Ou então, a pessoa se casa, mas já tem uma amante ou um amante, ou se casa, já com o pensamento que não será fiel, esse matrimônio não será válido. São muitos os casos, se você passa por esse problema, o ideal é procurar um bom sacerdote, talvez o seu pároco para encaminhamento para o Tribunal Eclesiástico.

Vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica diz:

§ 1625 – Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o matrimônio e que expressem livremente seu consentimento. “Ser livre” quer dizer:

–    Não sofrer constrangimento;

–    Não ser impedido por uma lei natural ou eclesiástica.

§ 1626 – A Igreja considera a troca de consentimento entre os esposos como elemento indispensável “que produz o matrimônio”. Se faltar o consentimento, não há casamento.

§ 1627 – O consentimento consiste num “ato humano pelo qual os cônjuges se doam e se recebem mutuamente”: “Eu te recebo por minha mulher” – “Eu te recebo por meu marido”. Este consentimento que liga os esposos entre si encontra seu cumprimento no fato de “os dois se tornarem uma só carne”.

§ 1628 – O consentimento deve ser um ato da vontade de cada um dos contraentes, livre de violência ou de medo grave externo. Nenhum poder humano pode suprir esse consentimento. Se faltar esta liberdade, o casamento será inválido.

§ 1629 – Por esta razão (ou por outras razões que torna nulo ou inexistente o Matrimônio), a Igreja pode, após o exame da situação pelo tribunal eclesiástico competente, declarar a “nulidade do casamento”, isto é, que o casamento jamais existiu. Neste caso, os contraentes ficam livres para casar-se, respeitando as obrigações naturais provenientes de uma união anterior.

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Acompanhamento Pastoral

No ano de 2015, o Sínodo das Famílias foi muito esperado, alguns acreditavam que a Igreja iria liberar a acesso a comunhão as pessoas que contrariam segunda união. Mas como a Igreja é fiel protetora dos ensinamentos de Jesus Cristo, ou seja, a fiel a Palavra de Deus. Não houve realmente a tal liberação.

Claramente a Igreja foi em busca de soluções para a causa do problema, para a causa de tantos divórcios que infelizmente acontecem. Buscando resgatar a imagem do matrimônio aos mais jovens, exortando a importância de viver as fases de um namoro para um casamento sadio, a vida em comunidade por parte da nova família, a educação dos filhos, etc.

Na exortação apostólica pós sinodal Amoris Laetitia do Papa Francisco, no capítulo VIII fala sobre essas situações irregulares. Fala dessas questões especialmente entre os parágrafos 293 ao 299, embora o próprio Papa não tenha deixado muito claro. No entanto, numa entrevista feita em Abril de 2016, quando o Papa voltava da ilha de Lesbos, publicado no portal Aleteia em 16 de setembro o papa fala da correta interpretação “E então, a frase-chave: sobre o texto dos bispos da região de Buenos Aires “A escrita é muito boa e expressa plenamente o significado do capítulo VIII de ‘Amoris Laetitia’. Não há outras interpretações. E eu tenho certeza que esta fará muito bem”. Em relação à “forma de acolhimento, acompanhamento, discernimento e integração”, Francisco escreveu: “Sabemos que isto é cansativo, se trata de uma pastoral ‘corpo a corpo’ não satisfeita com mediações programáticas, organizacionais ou coletivas, mas necessárias”.

Mas como bem dito pelo Papa meu irmão e minha irmã, há que se ter um acompanhamento por parte de um sacerdote e quem sabe, para quem tem a graça de ter acesso a um Bispo.

Na Amoris Laetitia também fala da gradualidade pastoral, nos parágrafos 293 e 294, ou seja, o crescimento na vida espiritual, o tempo de união, educação dos filhos, compromisso com a comunidade, etc. Esse pensamento na verdade, segue a mesma linha de São João Paulo II.

Tenha sempre em mente, a Igreja não é má, nem opressora, nem condena as pessoas para o inferno. A Igreja é mãe, e uma boa mãe, que cuida de seus filhos.


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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CAMINHO SAGRADO
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