Cinco Solas

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Em 2017 comemoram-se os 500 anos da reforma protestante, iniciada pelo então padre agostiniano Martinho Lutero em 1517 na Alemanha e posteriormente foram surgindo outros reformadores em outros países da Europa, como por exemplo, João Calvino embora francês, foi um dos principais reformadores na Suíça; Henrique VIII na Inglaterra e Erasmo de Roterdã nos Países Baixos e Escandinávia.

Não vamos entrar muito nos méritos da reforma em si, muito embora também como um bom católico não possa ser hipócrita e como diz o ditado popular, não se deve tapar o sol com a peneira, houve sim, claros abusos por parte de alguns clérigos que se aproveitavam do prestígio social e político da época e conseguiam extorquir dinheiro, vendendo, por exemplo, indulgências para os fiéis. Esse pecado, esse erro é chamado de simonia.

E isso não é algo da época ou inventado pelos clérigos infiéis, o nome simonia vem de Simão Mago que procurou São Pedro para comprar poderes espirituais transmitida pela imposição de mãos. Isso é narrado em Atos 8, 18-20

“Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro dizendo: Daí-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!”

Portanto, simonia é a venda de favores divinos, bênçãos, cargos eclesiásticos, prosperidade material, bens espirituais, coisas sagradas, perdões, objetos ungidos, etc. Algo muito comum hoje em dia também não é mesmo? Basta ligar sua TV nesse momento e começar a passar os canais que verá com muita facilidade.

No entanto, devemos lembrar que essas práticas que alguns clérigos faziam nunca foram doutrina da Igreja Católica, o que havia era a má intenção realmente por parte de alguns. Haviam alguns que não tinham vocação para o sacerdócio e como na época ainda havia uma forte ligação entre Igreja e Estado, alguns eram nomeados ou indicados por força política e outros realmente compravam os cargos.  O que era tragicamente péssimo, pois essas pessoas sem vocação e com outras intenções na estrutura da Igreja acabavam não sendo fiéis a Sã Doutrina da Salvação. O próprio Martinho Lutero, segundo alguns historiadores, também não tinha vocação sacerdotal e entrou no monastério para se livrar de um assassinato cometido.
Tanto é que o Papa João Paulo II pediu perdão pelos erros dos filhos da Igreja. Mas veja bem meu irmão e minha irmã, perdão pelos erros dos filhos e não pela Igreja. Como disse o que houve foi infidelidade por parte dos membros e não da Igreja.

Mas voltando a reforma, em meio aos erros dos infiéis e todas as conseqüências aliada a sucessivos mal entendidos e posteriormente a interesses de nobres e poderosos da época acabou se tornando irreversível, visto que Martinho Lutero não queria sair da Igreja, mas sim mudá-la ou reformá-la.

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero publicou as 95 teses com reformas propostas. Dessas 95 teses, 25 delas já estavam em conformidade com o Magistério da Igreja. Os principais princípios da reforma protestantes são conhecidos como as cinco solas, sendo elas: Sola Fide (somente a fé), Sola Scriptura (Somente a Bíblia), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça), Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).

Veremos uma a uma, dentro do que a Igreja Católica Apostólica Romana nos ensina e o que a própria Bíblia fala sobre esses fundamentos.

Sola Fide (somente a fé)

Somente a fé ou a justificação apenas pela fé é um dos fundamentos da fé protestantes. Os teólogos protestantes afirmam que a fé produz justificação e boas obras. No entanto, podemos ver em São Tiago 2, 14-18:

“De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”

Acreditar em Deus até mesmo o demônio crê e nem por isso, significa que ele esteja justificado. No mesmo capítulo de São Tiago menciona sobre isso em São Tiago 2, 19-20 ”Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril?”

Embora a fé católica também diga, que tudo vem do Espírito Santo, ou seja, uma pessoa sente compaixão e ajuda outra através do Espírito Santo que age na vida dela, portanto, acreditamos que se uma pessoa não tem boas obras é um sinal que ainda não há conversão, portanto, não há justificação.

Sola scriptura (somente a Bíblia)

Esse fundamento talvez seja o mais propagado e difundido da fé protestante. Só Bíblia basta, ou seja, tudo tem que estar na Bíblia e se não está na Bíblia não é digno de fé.
Embora a doutrina da Igreja Católica seja toda alicerçada na Bíblia, não quer dizer que assim tenha que ser. É preciso entender que a Bíblia saiu da Igreja e não a Igreja saiu da Bíblia. Acredita-se que o primeiro livro do Novo Testamento tenha sido escrito por São Paulo que é a primeira carta aos Tessalonicenses foi escrita por volta do ano 70 d. C. e o último, que é o Apocalipse de São João por volta do ano 100 d. C., ou seja, quando a Bíblia terminou de ser escrita Jesus já havia nascido, morrido e ressuscitado.

Só no ano 300 d. C., a Bíblia foi compilada e traduzida para o Latim por São Jerônimo, um Bispo Católico. Haviam muitos escritos na época que a Igreja chama de livros apócrifos, ou seja, serve de pesquisa histórica, mas não são reconhecidos como inspirados por Deus, portanto não são livros sagrados. Foi o Magistério e a Tradição da Igreja Católica que compilou, ou seja, separou os livros Sagrados dos apócrifos.
Há uma mentira muito grande que a Igreja proibia os fiéis da leitura bíblica antes da reforma protestante de 1517. O que acontece na verdade, é que coincidentemente foi nessa época que foi inventada o que se pode considerar como a primeira impressora em larga escala, chamada de prensa Gutenberg por volta do ano de 1450. Antes disso era impossível a produção em larga escala não só da Bíblia, mas de qualquer livro.
Vale lembrar que nessa época eram pouquíssimas pessoas que sabiam ler, portanto isso é uma grande mentira, mas uma conta a Igreja eu diria.
A Bíblia protestante tem 7 (sete) livros a menos que Bíblia Católica, sendo 66 livros e 73 livros respectivamente. Martin Lutero quando fez a tradução para o alemão retirou sete livros. Um dos livros que há nas duas Bíblias (católica e protestante) que é carta de São Tiago, foi chamada por Martin Lutero de “carta palha”, pois segundo ele, contrastava a justificação apenas pela fé (sola fide conforme falamos no tópico anterior) e por muito pouco não o retirou também.
Além dos sete livros já desconsiderados, Lutero também teve baixa consideração pela carta aos Hebreus, Judas e pelo Apocalipse, que inclusive dizia que não via como o Espírito Santo poderia inspirar um livro como tal.
Os sete livros retirados foram: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus.

A própria fundamentação que só a Bíblia não se sustenta pela Bíblia, São Paulo diz em 2 Tessalonicenses 5, 21 Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa. Pelo contrário, a Bíblia ensina que a Igreja é a guardiã da fé, conforme Efésios 3, 10 -11Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina, de acordo com o desígnio eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor.”

A interpretação bíblica pessoal também é condenada pela Bíblia, conforme 2 Pedro 1, 20-21 Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.”

Solus Christus (somente Cristo)

Aqui na verdade, o que há é um grande equívoco no que a Igreja Católica diz. A Igreja Católica também apenas Cristo como seu Senhor e Salvador. Tanto é que é que o centro da fé cristã católica é a Eucaristia, fato que os protestantes não acreditam. Embora esteja clara e fundamente na Bíblia, como por exemplo, no capítulo seis de São João, os protestantes não crêem.

A Igreja Católica tem culto de latria (adoração) apenas a Deus e quando são para os Santos é chamado de dulia (honrar) e hiper dulia (grande honra) apenas a Nossa Senhora.

O fato de se ter imagens e crucifixo não quer dizer idolatria. Nas passagens, por exemplo, de Êxodo 20, 3-4 e Deuteronômio 4, 16-18 diz para não fazermos imagens de ídolos, como por exemplo, baal; bezerro de ouro, estátua do imperador e assim por diante. Prova disso que é em Êxodo 25, 18-22 Deus manda Moisés fazer dois querubins de ouro para ser fixada em cima da Arca da Aliança que era por conta Deus falava com seu povo.

Também podemos a prefiguração da crucificação de Jesus Cristo sendo feita por uma imagem, pela serpente de ouro, narrada em Números 21, 9. Através da Bíblia é possível constatar também que havia imagens no templo de Salomão, conforme 1 Reis 7, 29 “Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.”

Quando pedimos intercessão a um Santo, não estamos o colocando em pé de igualdade com Jesus. Ele é santo por conta de Jesus e não concorrente de Jesus! Nossa maior referência é Jesus, mas como ser santo como Jesus? Alguns consideram ir um pouco mais adiante, embora ainda muito longe, mas mais do que a grande maioria, como por exemplo, São Padre Pio, São João Paulo II, São Domingos de Gusmão entre outros e a própria Nossa Senhora.

O que precisamos entender é que muito mais que pertencer a Igreja, nós somos Igreja! Fazemos parte do Corpo Vivo e Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso também é amplamente respaldado pelas Escrituras, como por exemplo, 1 Coríntios 12, 12-14 “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muito.”

Sendo que temos Cristo como cabeça,conforme Colossenses 1, 18-20 “Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas. Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus.”

Muitos dizem que os santos estão mortos, mas podemos ver em Romanos 8, 38 “Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Um dia serviremos a Deus e intercederemos pelos que aqui estarão, conforme Apocalipse 7, 1-3 “Depois disso, vi quatro Anjos que se conservavam em pé nos quatro cantos da terra, detendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, sobre o mar ou sobre árvore alguma. Vi ainda outro anjo subir do oriente; trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.”

Também podemos ver a intercessão dos Santos diante de Deus em Apocalipse 8, 2-4 “Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.”

Sola gratia (somente a Graça)

A fundamentação protestante diz que apenas por pura graça de Deus é que somos salvos, um favor imerecido devido sermos pecadores e termos tendência a pecar. Basicamente essa fundamentação vem da passagem de 2 Coríntios 12, 9 “Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.”

De certo modo, esse fundamento não esta totalmente em desacordo com a doutrina católica. Mas não podemos considerar que Deus age sozinho em nossa salvação. Se fosse assim, pra nos esforçarmos e renunciarmos os prazeres do mundo?

Só fato de crer em Jesus não quer dizer que estamos salvos! Isso o próprio Jesus diz em São Mateus 24, 12-13 “E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.”

Muito propagado no meio protestante o “aceitar Jesus”, obviamente isso é uma verdade de fé, pois Deus não é nenhum intruso e opressor, Deus só age em nossas vidas a partir do espaço que vamos dando a Ele. O fato de “aceitar Jesus” e não ter uma vida reta, uma vida na busca da santidade e do que Deus quer não nos garante a salvação. Tão pouco, damos uma “colherinha de chá” a Jesus o aceitando, pois É ele quem nos escolhe, como podemos ver em São João 15, 16 “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.”

Tudo que fazemos de bom recebemos os méritos e através de nossos méritos seremos salvos. Se não houvesse mérito, por mais indigno que sejamos, onde ficaria a justiça divina?

Soli Deo gloria (glória somente a Deus)

Falamos sobre isso no tópico Solus Christus, em que afirmávamos que o culto de latria (adoração) é dada somente a Deus e de dulia (honra) aos Santos e hiper dulia (grande honra) a Nossa Senhora. Contudo, esse fundamento é baseado em Isaías 42, 8 “Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra.”

O que precisamos entender é que sempre que fazemos algo em prol da evangelização por mais que se pregue, escreva ou cante bem a glória é de Deus! Deus é glorificado a partir do nosso “sim” e de nosso desprendimento. Podemos ver que sem Jesus nada podemos fazer, conforme São João 15, 1-5 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

Em Isaías quando mencionado fala dos falsos deuses e não das obras que Deus opera através de seus vasos, através dos indignos servos nesse mundo. Temos tantas pessoas que pelo seu sim a glória de Deus foi manifestada como, por exemplo, um dos maiores Santos da história da Igreja como São Padre Pio, como um grande combatente do comunismo, o Papa São João Paulo II e nossos expoentes brasileiros como Padre Marcelo Rossi, Monsenhor Jonas Abib, Padre Leo, Irmã Dulce, etc.

O apóstolo Paulo, no final de sua vida falava da coroa que iremos receber de Deus, conforme 2 Timóteo 4, 8 “Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição.”


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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