Confissão, uma verdade bíblica praticada desde os primeiros cristãos

Tempo de leitura: 14 minutos

A palavra “sacramento” vem do latim sacramentum, que significa “juramento”. São atos exteriores e visíveis de nossa fé. Portanto, quando você participa de um sacramento, você está fazendo um juramento a Deus, um juramento de fidelidade.

Embora todos os sacramentos (batismo, crisma ou confirmação, Eucaristia, ordem, matrimônio e unção dos enfermos) foram instituídos por Jesus, muitas pessoas que não acreditam e acham não passam de meros compromissos sociais. Ao passo, há também pessoas que acham que não há fundamentação bíblica e que foram “inventados” pela Igreja Católica durante a Idade Média.

Acredito que o sacramento em questão é dos mais questionados por cristãos de outras denominações e até mesmo por pessoas que se dizem católicas. Ouve-se com certa facilidade em nossas comunidades “eu confesso pra Deus e pronto”, “o Padre também peca”, “só Deus pode perdoar pecados” e assim por diante

Vejamos a seguir a fundamentação bíblica.

 

Sacramento da Confissão na Bíblia

Para entendermos a autoridade que a Igreja tem através de seus ministros, é necessário primeiramente entendermos sobre sucessão apostólica. Na história de nossa redenção, desde o antigo testamento, podemos notar com facilidade os patriarcas de nossa fé, como por exemplo, Abraão, Isaac e Jacó. Que após o que chamamos de reforma protestante, segundo eles, não existe mais. Muito embora, ache um pouco contraditório fazerem tanta referência ao estado de Israel, criado há 60 anos e algumas denominações são tão avessas a tradição cristã que tem uma doutrinação quase judaizante.

No antigo testamento já temos uma prefiguração da autoridade Papal no livro do profeta Isaías 22, 22-23 “Pôr-lhe-ei sobre os ombros a chave da casa de Davi: quando abrir, ninguém fechará; quando fechar, ninguém abrirá.” A confirmação vem do próprio Senhor Jesus em São Mateus 16, 18-19 “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,e as porta do inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado no céu”.

São Pedro confirma sua autoridade em Atos 15, 7 “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, aprove a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem os gentios a palavra da Boa Nova e abraçassem a fé.” Nosso Senhor Jesus Cristo, também confirma a autoridade de São Pedro em São João 21, 15-17 “Depois de comerem, Jesus disse a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Jesus lhe disse: Apascenta meus cordeiros. Segunda vez disse-lhe: Simão, filho de João, tu me amas? – Sim, Senhor, disse ele, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta minhas ovelhas. Pela Terceira vez lhe disse: Simão, filho de João, tu me amas? Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara: Tu me amas? E lhe disse: Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo. Jesus lhe disse: Apascenta minhas ovelhas.”

Portanto, nós vivemos sob uma autoridade apostólica transmitida ininterruptamente de São Pedro até o nosso atual Papa, o Papa Francisco. Temos o Magistério da Igreja e a Tradição, de onde saiu todo conhecimento cristão que conhecemos. Através do Magistério da Igreja e da Tradição, temos riquezas imensuráveis, como por exemplo, a própria Bíblia que foi compilada pela Igreja. A Bíblia saiu da Igreja e não o contrário.

Sobre o perdão dos pecados, obviamente o fato de perdoar uma pessoa não cabe apenas a um ministro ordenado, ou seja, um Padre. Você deve sim, perdoar as pessoas que eventualmente tenha te prejudicado ou ofendido. Contudo, de forma sacramental, com autoridade conferida pela Igreja, só o Padre pode perdoar os pecados, que é uma ofensa, sobretudo a Deus.

Vejamos na Bíblia, em São João 20, 19-23 “A tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus. Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: A paz esteja convosco! Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor. Ele lhes disse de novo: A paz esteja convosco! Como o pai me enviou, também vos envio. Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos.”

Note que no versículo 19 menciona “estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos…”, ou seja, perdoar pecados de forma sacramental, retirando a condenação do à ofensa a Deus, o pecado, cabe apenas aos ministros ordenados. O perdão é o Padre que confere, mas sim, o próprio Cristo.

Podemos ver o sacramento da confissão também em São Tiago 5, 16 “Confessai, pois, uns aos outros, vossos pecados e orais uns pelos outros, para que sejais curados.”

Portanto, assim como os demais sacramentos, a confissão é sim bíblica.

 

Sacramento da Confissão no Catecismo

O Catecismo da Igreja Católica tem vários parágrafos que falam do sacramento da confissão. Destaco aqui 1424:

É chamado sacramento da confissão, porque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma “confissão”, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.

E chamado sacramento do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao penitente “o perdão e a paz”.

E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: “Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (Mt 5, 24).

 

Sacramento da Confissão entre os primeiros cristãos

Um argumento muito utilizado por alguns, é que sacramentos ou pelo menos alguns sacramentos tenham sido “inventados” pela Igreja durante a Idade Média, e entre os sacramentos que mais se atribui essa argumentação é o sacramento da confissão.

Contudo, a prática da confissão já era um costume dos primeiros cristãos. São Cipriano, que foi Bispo de Cartago, por volta do ano 250 d. C., já falava do sacramento da confissão.

Muitos alegam erroneamente, e infelizmente, muitas das vezes de forma leviana, que a Igreja Católica foi fundada e/ou se paganizou a partir do ano 300 d. C., depois que o imperador Constantino deu fim a perseguição dos cristãos. Portanto, mesmo que você acredita nessa mentira estapafúrdia, note o texto abaixo é datado de antes desse período.

 

Nada de penitência feita as pressas

Cipriano entre dois fogos no caso dos lapsi. Ele se opõe aos rigoristas, que recusam o perdão da Igreja, mas também aqueles, padres ou “confessores”, que começaram a concedê-lo por sua própria autoridade e “com abatimento”.

“Irmãos bem-amados, apareceu uma calamidade de tipo novo e, como se a tempestade da perseguição não maltratasse o suficiente, foi levada ao auge, sob pretexto de misericórdia, por um mal enganador e um flagelo que se esconde sob aparências carinhosas. Em oposição ao rigor do Evangelho, em oposição à lei do Deus e Senhor, pela audácia de alguns, eis que a comunhão é concedida imprudentemente – uma paz vã e enganadora, perigosa para os que a dão e sem efeito para os que recebem. Alguns não esperam a cura com paciência, nem procuram o verdadeiro remédio que a expiação consegue: a penitência não habita em seus corações, nem é abolida a lembrança do crime mais grave e mais terrível, a apostasia…

Todos esses ensinamentos são desprezados e rejeitados. Antes da expiação do delito, antes da exomologese (confissão) do crime, antes que a consciência tenha sido purificada pela mão e pelo ministério do bispo, antes de ter aplacado a ofensa feita ao Senhor, irritado e ameaçador, eles fazem violência ao Corpo e Sangue de Cristo e pecam contra Deus, com as mãos e a boca, mais do que ao terem renegado o Senhor. Crêem que é paz o que alguns vendem de maneira enganosa. Não é a paz, mas o conflito, pois quem está longe do Evangelho não pode estar unido a Igreja.”

Sobre os apóstatas, 15. A partir da tradução de C. Vogel, Le pécheur et La pénitence dans I’Église ancienne, Paris, 1982, PP. 84-85

 

Sacramento da Confissão, exercício de humildade

A maior marca de um genuíno cristão é a humildade, porque a Sagrada Família deu grandes lições de humildade, como por exemplo, a apresentação do Menino Jesus no Templo, narrada em São Lucas 2, 21-40.

São José e Nossa Senhora poderiam ter pensando “estamos cuidando do Messias, do Filho de Deus, não precisamos mais no submeter à religião judaica e a nenhum rabino”, mas não foi isso que pensaram. Não só apresentaram como iam com regularidade ao Templo.

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus todo poderoso, dá profundos exemplos de humildade narrados na Sagrada Escritura, como por exemplo, o seu batismo, narrado em São Mateus 3, 13-17. Certamente Jesus não precisava se submeter a ninguém, muito menos ser batizado, mas assim foi. São João Batista, que foi quem batizou Jesus disse em São Mateus 3, 14 “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?”

Outro exemplo de profunda humildade de Jesus foi quando Ele valou os pés de seus discípulos, narrado em São João 13, 1-20. Jesus muito mais que falou o que devemos fazer, mas sim, ensinou fazendo.

Portanto, a confissão é um grande exercício de humildade, de reconhecimento de nossa pequenez diante de Deus. O reconhecimento de nosso nada, de nossas mazelas e fraquezas diante de Nosso Deus.

Lembre-se que a soberba é o pecado preferido de Satanás, que foi pela soberba que ele foi expulso do céu.

Como fazer uma boa Confissão?

Bom, para você ter o perdão de Deus, primeiramente, você precisa se arrepender e se perdoar. E nada adianta você confessar pecados sem que tenha se arrependido e que não lute para não pecar mais. Também, é importante você também se perdoar. Percebo que muitas pessoas têm até o perdão de Deus, mas não tem o perdão de si próprio.

Nossa fé nos garante, que se morrermos com um pecado mortal que seja, estaremos eternamente condenados ao inferno. Os pecados mortais são aqueles que vão contra os 10 mandamentos que podemos ver abaixo:

1 – Amar a Deus sobre todas as coisas

2 – Não tomar seu santo nome em vão

3 – Guardar domingos e festas de guarda

4 – Honrar Pai e Mãe

5 – Não matar

6 – Não pecar contra a castidade

7 – Não roubar

8 – Não levantar falso testemunho

9 – Não desejar a mulher do próximo

10 – Não cobiçar as coisas alheias

Antes da confissão, você deve meditar profundamente seus atos e ações em relação aos 10 mandamentos da Lei de Deus.

Para auxiliar, no exame de consciência, nossas paróquias sempre têm folhetos para auxiliar com algumas dicas. As dicas abaixo foram extraídas do livro “Por que confessar? Como confessar?” do Professor Felipe Aquino:

 

Para você fazer uma boa confissão é preciso examinar a sua consciência

É preciso avaliar a consciência com coragem, segundo a luz do Espírito Santo. E nada de esconder algo do sacerdote, pois ali ele representa o próprio Jesus.

1 – Amo Deus mais do que as coisas, as pessoas e os meus programas? Ou será que tenho adorado deuses falsos, como o prazer do sexo antes ou fora do casamento, o prazer da gula, o orgulho de aparecer, a vaidade de me exibir, de querer ser “o bom” etc.?

 

Cultivo de superstições

2 – Eu tenho, contra a lei de Deus, buscado poder, conhecimento, riquezas, soluções para meus problemas em coisas proibidas como horóscopos, mapa astral, leitura de cartas, búzios, tarôs, pirâmides, cristas, espiritismo, macumba, candomblé, magia negra, invocação dos mortos, leitura das mãos etc.? Tenho cultivado superstições? Figas, amuletos, duendes, gnomos e coisas parecidas? Ouço músicas que me influenciam e provocam alienação, violência, desejo de sexo, rebeldia e depravação?

3 – Rezo, confio em Deus, procuro a Igreja, participo da Santa Missa aos domingos? Eu me confesso? Comungo?

4 – Leio os Evangelhos, a Palavra viva de Jesus, ou será que o Senhor é um desconhecido para mim?

5 – Respeito, amo e defendo Deus, Nossa Senhora, os anjos e santos e as coisas sagradas? Ou será que sou um blasfemador que age como um inimigo de Jesus?

6 – Amo, honro, ajudo meus pais e irmãos, a minha família? Ou será que eu sou “um problema a mais” dentro da minha casa? Eu faço os meus pais chorarem? Eu sou um filho que só sabe exigir e exigir? Eu minto e sou fingido com eles? Vivo o mandamento: “Honrar pai e mãe”?

Viver a castidade

7 – Como vai o meu namoro? Faço da minha garota um objeto de prazer para mim, como um cigarro que eu fumo e jogo a “bita” fora? Ela é uma “pessoa” com a qual quero conviver ou é apenas uma “coisa” para me dar prazer?

8 – Vivo a vida sexual antes do casamento, fora do plano de Deus? Peco por pensamentos, palavras e atos com relação a assuntos como masturbação, revistas pornográficas, filmes, desfiles eróticos e roupas provocantes? Vivo o homossexualismo?

9 – Respeito meu corpo e minha saúde, que são dons de Deus? Ou será que eu destruo o meu corpo, que é o templo do Espírito Santo, com a prostituição, as drogas, as aventuras de alto risco, as brigas, violências, provocações etc.?

10 – Sou honesto ou será que tapeio os outros? Engano meus pais? Pego dinheiro escondido deles? Será que eu roubei algo de alguém, mesmo que seja algo sem muito valor? Já devolvi?

Sou uma pessoa vingativa

11 – Fiz mal para alguém? Feri alguém com palavras, pensamentos, atitudes, tapas e armas? Neguei o meu perdão a alguém? Desejei vingança? Tenho ódio de alguém?

12 – Eu falo mal dos outros? Vivo fofocando, destruindo a honra e o bom nome das pessoas? Sou caluniador e mexeriqueiro? Vivo julgando e condenando os outros? Sou compassivo, paciente e manso? Sei perdoar, como Jesus manda?

13 – Sou humilde, simples, prestativo e amigo de verdade?

14 – Vivo a caridade, sei sofrer para ajudar quem precisa de mim?
Partilho o que tenho com os irmãos ou sou egoísta?

15 – Sou desapegado das coisas materiais, do dinheiro?

Pecado da gula

16 – Sou guloso? Vivo só para comer ou como para viver?

17 – Eu bebo sem controle? Deixo que o álcool destrua minha vida e desgrace a minha família?

18 – Sou preguiçoso? Não trabalho direito? Deixo todas as minhas coisas jogadas e mal-arrumadas, estragando-se?

19 – Sinto raiva de alguém e não perdoo o mal que ele me fez? Desejo vingança contra alguém? Sou maldoso?

20 – Sou invejoso? Ciumento? Vivo desejando o mal para os outros?

 


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
[email protected]

CAMINHO SAGRADO
www.caminhosagrado.com
www.facebook.com/caminhosagradoweb
@jesusmariajosek
www.instagram.com/caminhosagradodosenhor

Comments

comments

Cadastre seu e-mail para receber nossas publicações:

Delivered by FeedBurner

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *