Convertido, mas não liberto

“Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria.” Colossenses 3, 5

A palavra “conversão” significa mudança de caminho, mudança de sentido e transformação. Vemos nas estradas muitas placas “Conversão a 500 metros”, “Conversão a 100 metros” e assim por diante. Ou seja, é um local onde é permitido a mudança do sentido da rodovia e/ou o local onde se pode mudar o caminho.

Nossa vida espiritual é semelhante! Convertemos, mas, diferente da estrada, nosso processo de conversão é diário, é a todo o momento. Não é um momento único, que geralmente é carregado de emoção e sentimentos. Conversão é realmente uma decisão de mudança de vida, é andar em outro caminho, é andar no caminho do Senhor.

Mas, assim como quando estamos fora do caminho de Deus, nós não chegamos ao fundo do poço de uma vez. Existe um caminho, um caminho errado é verdade, mas é um caminho. Dificilmente uma pessoa vira alcoólatra da noite para o dia, ou então, ninguém fica promíscuo da noite para o dia, assim, como ninguém fica perverso e mal da noite para o dia. Há um caminho na lama, e quando mais se anda nesse caminho, mas nos sujamos e por conseqüência vamos piorando a cada passo.

Quando mudamos de caminho, ou seja, quando nos convertemos ao caminho de Deus também é assim. Ninguém fica santo de um dia para o outro! Há um caminho a percorrer, um caminho que durará até o dia em que Deus nos chamar. Mesmo convertido, muitas das vezes não estamos verdadeiramente libertos de nossas mazelas.

Por isso São Paulo diz em Colossenses 3, 5 “Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria.” São Paulo nos exorta a fazermos penitências, pois, quando fazemos penitência estamos dizendo “não” a carne e “sim” ao espírito.

No antigo testamento, podemos ver algo semelhante em 2 Crônicas 7, 14 “se meu povo, sobre o qual foi invocado o meu nome, se humilhar, se procurar minha face para orar, se renunciar ao seu mau procedimento, escutarei do alto do céu e sanarei sua terra.” Nessa passagem no segundo livro de Crônicas podemos ver “se meu povo…”, ou seja, um povo convertido, mas que no decorrer do versículo o Senhor pede para renunciar o mau procedimento, e se feito, Deus escutará a oração. Vemos claramente, um povo convertido, mas certamente não liberto verdadeiramente.

A Palavra de Deus, diz em São Tiago 1, 14 “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia.” Biblicamente a palavra “concupiscência” tem o sentido da busca desenfreada e fora do projeto de Deus das vontades da carne, das vontades sexuais e pelo apreço a bens materiais. Mas, todos nós temos concupiscência, e isso, não é necessariamente ruim. Por exemplo, todos nós temos a concupiscência de nos alimentar, se não tivéssemos isso, certamente pouquíssimas pessoas se dariam o trabalho de cozinhar, preparar os alimentos e assim por diante, o que nos levaria a morrer de inanição. Todos nós temos a concupiscência sexual, imagine se não a tivéssemos. Certamente pouquíssimas ou nenhuma pessoa, se daria ao trabalho de contrair matrimônio, ter filhos e todo o trabalho e atenção que requer em educá-los, e certamente, seria o fim da humanidade.

Quando São Tiago nos alerta sobre a tentação de nossas concupiscências é o desejo desenfreado e fora dos planos de Deus. Ter relação sexual é pecado? Claro que não, desde que seja no matrimônio, fora é sim pecado. Comer é pecado? Óbvio que não! Mas comer demais, além do que necessita é sim pecado.

São João também nos alerta sobre as concupiscências em 1 João 2, 16 “Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo.” Portanto, muitas das vezes somos convertidos, mas não liberto. Senão, não teríamos tantas exortações bíblicas.

Uma pessoa para ser verdadeiramente liberta, deve ser uma pessoa de virtudes. Vejamos o exemplo de um homem, convertido, mas, que ainda não está totalmente liberto do pecado do adultério, que quando precisa comprar um simples refrigerante, irá comprar no supermercado ou na padaria, mesmo que mais distante, onde tem uma mulher que chama sua atenção. Ou talvez, nem por atração a uma mulher, mas vai naquele estabelecimento que o produto da marca “X”, que uma artista famosa, que gosta muito, faz a propaganda.

Podemos entender também, outro exemplo, uma mulher que quando vai escolher um perfume para comprar, escolhe aquele, que lembra um filme, uma novela, um artista, ou até mesmo, um ex-namorado, que quando usado, mesmo com o marido irá lembrar-se do ex amante e irá trair seu marido em pensamento.

Por isso, especialmente, nos dias atuais, o marketing pesado das grandes marcas consegue lograr grandes êxitos, pois não mais exercitamos nossas virtudes. Como sabiamente diz os Padres da Igreja, ou seja, os primeiros cristãos, o homem tem três inimigos que são: A carne, o diabo e o mundo.

Para sermos libertos, livres de verdade como diz São Paulo em Gálatas 5, 1 “É para que sejamos homens livres que Cristos nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão.”

O Santo Magistério da Igreja, nos ajuda nessa busca de libertação através da Palavra de Deus, ou seja, da Bíblia e do Catecismo com as Virtudes Cardeais. Vejamos uma a uma:

Virtudes Cardeais

Prudência – Catecismo da Igreja Católica, §1806

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de atingi-lo. “O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15). “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pe 4, 7). A prudência é a “reta norma da ação”, escreve São Tomás (62) seguindo Aristóteles. Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada “auriga virtutum – condutor das virtudes”, porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar.

Justiça – Catecismo da Igreja Católica, §1807

A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se “virtude da religião”. Para com os homens, a justiça leva a respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum. O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo. “Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade” (Lv 19, 15). “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Fortaleza – Catecismo da Igreja Católica, §1808

A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14). “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Temperança – Catecismo da Igreja Católica, §1809

A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração (63). A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”. Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).

Busquemos essa vida de retidão e busca por nossa santidade, oremos suplicando a Jesus Cristo que nos ajude nessa batalha que é contra nossas vontades e nossas mazelas, que sejamos verdadeiramente libertos conforme São João 8, 36 “Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.”

Pois, como diz a Palavra do Senhor, em Filipenses 2, 10-11 “Para que o nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.”


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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