Cruz não é maldição, cruz é vitória e ressurreição

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O conceito errado de idolatria que tanto é e foi difundido, envolve também até o fato de termos um crucifixo em nossas casas e empresas. Contudo, primeiro precisamos entender verdadeiramente o que é idolatria. Idolatria é tudo aquilo que esta no lugar de Deus ou entre Deus e nós. O simples fato de termos uma imagem de Maria Santíssima ou de algum santo ou mesmo um crucifixo não se caracteriza idolatria.

Temos muitos falsos deuses, ou seja, algo que esta no lugar que deveria ser ocupado somente por Deus! Podemos pegar, por exemplo, o dinheiro e o poder são “deuses” cultuados com cada vez mais força. Muitas pessoas não medem esforços para agradar esses deuses e os buscam a todo custo.

A cruz seja ela como um objeto, ou seja, nosso crucifixo que colocamos em nossas casas, em nossas comunidades e até mesmo utilizamos penduradas em nosso pescoço, assim como a cruz como um entendimento e uma verdade de fé, ou seja, nossas mortificações, nossas provações, dificuldades são bastante questionadas.

Alguns dizem que cruz é maldição! Dizem que nós católicos, crucificamos Jesus novamente por utilizarmos cruzes com Jesus crucificado em nossas paróquias e por isso. Algumas denominações protestantes até aceitam as cruzes, no entanto, devem estar vazias. Já quando falamos da cruz como uma verdade de fé, muitos a negam por dizer que já somos são mais que vencedores e que Jesus já venceu na cruz.

De certo modo, há uma verdade nisso, em Jesus somos mais que vencedores e Ele (Jesus) já venceu o demônio na cruz. Contudo, vejamos o que São Paulo diz em 1 Coríntios 1, 18:

“A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina.”

Vivemos em um mundo que cada vez mais louco, cada vez mais com os valores invertidos e cada vez mais apostatados da fé. A cruz desde o tempo de Jesus não foi muito bem compreendida por muitos e até hoje assim continua.

São Paulo continua no mesmo capítulo de sua carta, 1 Coríntios 1, 20-25:

“Onde está o sábio desse mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve Da Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos – quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”

O apóstolo Paulo, responde e resume muito bem a questão da cruz já nos primeiros anos do cristianismo e talvez nem precisasse mais alongar o texto devido à clareza exposta. Mas algo que me chama muito a atenção quando se leio sobre a patrística, ou seja, sobre os nossos pais da fé, sobre os “Padres da Igreja.” No caso, a palavra “padre” aqui não quer dizer necessariamente ser o padre que conhecemos hoje, um ministro ordenado. Mas sim, se refere aos primeiros cristãos, nossos “pais da fé.” Recomendo os livros “Os padres da Igreja”, são dois volumes e são riquíssimos em textos da época e das dificuldades que os primeiros cristãos tiveram. Algo que me chama muito a atenção é que as dificuldades dos primeiros anos do cristianismo são as mesmas até hoje. Obviamente, mudaram-se os métodos de perseguição e de questionamento.

Acredito que já desde a época de Paulo já se questionavam muito a questão da cruz, talvez por isso, ele tenha escrito “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina.”

Nosso Senhor Jesus Cristo, também falou da cruz antes mesmo de Sua entrega nela, podemos ver isso em São Lucas 9, 23:

“Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia sua cruz e siga-me.”

Veja bem! Jesus disse para tomarmos nossa cruz e não nossa maldição! Portanto meu irmão e minha irmã, cruz definitivamente não é maldição. Nessa passagem Jesus ainda não fala de uma cruz temporária, uma cruz que vai durar apenas um período de tempo, mas sim, da nossa cruz de cada dia. Portanto, todos os dias de certo modo, devemos morrer para nós, morrer para o mundo, sermos menos carne e mais espírito! Mais de Deus, uma busca diária e constante por nossa santificação.

Nosso Senhor também vai dizer em São Mateus 10, 38-39:

“Quem não toma sua cruz e não me segue não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida irá perdê-la. Aquele que a perder, por minha causa, irá reencontrá-la.”

E hoje, o que seria nossa cruz? Alguns lêem a Bíblia de forma tão literal, que em alguns países se crucificam em forma de penitência, digo isso de forma literal realmente! Atravessam os pregos em suas mãos e ficam crucificados de verdade. Isso é um absurdo! Condenado inclusive oficialmente pela Igreja.

Quando a Bíblia fala em viver a cruz e em abraçar a cruz quer dizer encararmos nossas cruz ou nossas cruzes como caminho de salvação e santidade! Imagine uma criança que tem tudo o que quer, na hora que quer e igualmente, faz o que quer e na hora que quer. Pense num adulto “doente” que será, crescerá sem saber o que é ter limites o que é respeito pelos outros e o que é lutar para se ter ou conquistar algo.

Assim é conosco! Deus permite as cruzes para poder em nós, nossos excessos e erros. Para irmos desde a nossa vida aqui já iremos purgando o que não é de Deus! Deus é um grande Pai amoroso e bondoso e nós, somos Seus filhos. E um pai que ama seus filhos, os corrige.

Uma constante na Bíblia entre os principais personagens, desde o antigo testamento são as cruzes e além de tudo, pessoas que nunca desistiram por mais pesada que fosse sua cruz. Assim foi, por exemplo, com Abraão, Moisés, Elias, Jó, Davi, Maria e com Jesus e Seus apóstolos e tantos outros personagens.

Foram pessoas que não desistiram! Abraçaram suas cruzes diárias e venceram em Deus! Imagine, por exemplo, se Moisés não abraçado sua cruz, morrendo para si e dizendo seu sim a Deus? Se Moisés não tivesse pregado e ensinado sobre os 10 mandamentos, sobre as leis de Deus.

Ou então, se Davi tivesse se sentido acomodado no pastoreio das ovelhas e no toque de sua arpa nos horários de folga tivesse pensado “pra quê vou lá lutar com o gigante Golias? Vou ficar aqui, tenho tudo que preciso!”

Ou então, se Maria, Nossa Senhora tivesse dito “não” ao arcanjo Gabriel. Tivesse pensado na hora “estou para casar com José, quero apenas viver minha vida como todas as outras mulheres, ter meus filhos, ser uma boa esposa e só.”

Tomei como exemplo, alguns personagens da Bíblia, mas poderia fazer com todos! Uma constante na Bíblia são as cruzes, é no renegar a si mesmo e viver o que Deus quer.

Nós também temos nossas cruzes! Talvez a sua cruz hoje seja o seu marido alcoólatra ou talvez sua cruz hoje seja o filho rebelde, ou quem sabe a sua cruz hoje seja o seu alcoolismo, um câncer ou alguma outra doença.

Mas algo que independente do que seja, é nesses momentos mais difíceis é que crescemos em Deus, que nos aproximamos mais Dele! O Brasil se forma especial, esta passando pela maior crise financeira de sua história! Difícil encontrar uma pessoa hoje, que não esteja passando por dificuldade financeira ou então, difícil encontrar uma pessoa que hoje não conheça alguém que esteja desempregado.

É ruim? Claro que é! Mas para nós, que somos seguidores de Cristo, momentos ruins às vezes não são tão ruins assim. São nos momentos ruins, como esses que quase todos os brasileiros estão passando é que crescemos na fé. Nos momentos ruins é que despojamos de nossos ídolos e aprendemos a depender verdadeiramente de Deus.

No livro de Êxodo, vemos o povo de Deus vagando pelo deserto por quarenta anos, mesmo depois de tantos anos de escravidão. Certa vez, li um artigo de uma pessoa ateia que se dizia ex-cristão alegando que deixou de seguir a Deus, por nosso Deus ser um Deus sádico! Ele usou em uma de suas argumentações o livro de Êxodo.

Mas como sempre digo a Bíblia muitas das vezes diz mais nas entrelinhas do que é escrito de forma literal, por isso a importância de não só ler a Bíblia, mas acima de tudo de meditá-la. E o que podemos entender nisso, será que Deus estava querendo castigar ainda mais seu povo? Claro que não! Óbvio que não! Depois de tantos anos como escravos, seu povo não estava acostumado a tomar decisões, a caminhar com as próprias pernas e a depender verdadeiramente de Deus. Afinal, eram escravos! Deus nesse período de deserto preparava seu povo para a terra prometida!

Deus nunca leva ninguém para o deserto para matar, mas sim, para ensinar! Deserto no contexto bíblico é uma escola! Assim é em nossas vidas, nossos desertos nos ensinam a depender mais de Deus, a sermos menos de nós mesmos e mais de Deus.

Sou um exemplo disso, eu até poucos anos atrás, tinha uma vida profissional relativamente estabilizada, era muito bem conhecido no mercado em que atuava, tinha um ótimo salário, podia dar relativamente um excelente conforme a minha família, mas isso me custava uma carga horária de 12, 13, 14 horas de trabalho diária e às vezes, até mais. Não tinha tempo para a família e nem para Deus. Eu achava que dependia e confiava em Deus, mas na verdade eu dependia e confiava em minha competência. Achava que em minha vida Deus estava no lugar que é só Dele, mas não, o que estava no lugar de Deus era minha profissão.

As conseqüências desses tipos de coisa não são boas! Primeiro é à distância de Deus e o pior, ainda achar que estava próximo Dele, sem falar que muitas das vezes a soberba de achar que era muito bom, profissionalmente era melhor do que a grande maioria.

Um belo dia, em exames de rotina, foi constatado uma isquemia cardíaca, que susto! Ainda mais para mim, que desde muito jovem praticava esportes, treinava artes marciais, corria, jogava futebol, como poderia ter isso? Questionava-me. Mas por graça de Deus, o problema era apenas um forte stress.

Mudei de vida, resolvi começar em outro segmento simplesmente do zero! Passei e passo por muitas dificuldades não só financeiras, mas em quase todas as áreas. Mas hoje, tenho tempo para a minha família e tenho tempo para servir a Deus! Semanalmente consigo dedicar horas em serviço a minha comunidade, tempo para oração, para leitura e tempo para ficar com a minha família. Isso não tem dinheiro no mundo que paga.

Veja que a cruz e o deserto que passei e passo é bom para mim! Cresci muito na fé nesses quase três anos que mudei de vida, acredito ter melhorado muito como marido e como pai. Aprendi a depender bem mais de Deus e a entender que dinheiro e status não significam necessariamente sucesso.

Louvor a Deus por nossas cruzes! Louvor a Deus por nossos desertos! Que todos nós saibamos entender verdadeiramente o que é isso. Ao invés de questionarmos Deus “por que disso ou por que daquilo” comece a dizer a Deus “Pra que isso? O que o Senhor quer me ensinar com isso?” Tenha absoluta certeza, quando se muda a oração do “por que” para “para que” tudo muda! Já que temos que passar pelas dificuldades, aproveitemo-las para aprender!

Um grande exemplo, de como as nossas cruzes nos santifica é a história de Santa Mônica que rezou por trinta anos pela conversão de sua família, especialmente pelo filho mais velho, Santo Agostinho. Veja como a cruz levou Santa Mônica a rezar e a buscar cada vez mais a Deus e acabou sendo proclamada como Santa pela Igreja, igualmente seu filho, Santo Agostinho.

Mas Deus não usa nossas cruzes, apenas para o crescimento espiritual. Às vezes, muitas bênçãos e êxito profissional vêm através de uma cruz. Um grande exemplo que nós, brasileiros temos é o piloto Ayrton Senna, que é considerado o maior piloto de Fórmula 1 da história e sem dúvida nenhuma o maior piloto em pista molhada que já existiu! Esse fato sobre a pista molhada me chama atenção, pois Senna, no início da carreira era muito ruim em pista molhada. Já era um piloto muito veloz e competitivo, mas quando chovia era uma negação. Mas veja Senna sabendo de sua dificuldade, não correu, não justificou! Encarou, abraçou essa sua cruz e começou a treinar muito sozinho em pista molhada. Enquanto todos descansavam, ele treinava e olha o resultado! O melhor piloto da história e em pista molhada reinava absoluto.

Voltando ao apóstolo Paulo, podemos constatar que ele também tinha sua cruz! Podemos ver em 2 Coríntios 12, 7 “Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.”

Encaremos mais nossas cruzes como oportunidades de crescimento e de santificação e não como um castigo ou como uma tortura. Assim como a cruz de Cristo foi para muitos o fim de tudo, na verdade era o recomeço de tudo. A cruz foi à grande vitória sobre a morte, sobre o demônio! A cruz é o grande sinal de salvação!

Rogamos a Deus o Seu Santo Espírito, para que nos guie, nos ensine e nos conduza pelos caminhos que Ele quer que passamos com nossas cruzes. Quem nos ensina é o próprio São Paulo em Romanos 8, 26 “Outrossim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis.”

No livro de Eclesiástico, podemos ver que é pela provação é que se santifica, como podemos ver em Eclesiástico 2, 1-6:

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.”


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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CAMINHO SAGRADO
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