EDUCAÇÃO OU DOUTRINAÇÃO? ACADÊMICOS REAGEM À DOUTRINAÇÃO SOCIALISTA NO ENEM

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Um conjunto de questões da prova de Ciências Humanas do último exame nacional de ensino médio (ENEM) abriu um debate entre acadêmicos sobre o direcionamento ideológico e a doutrinação dos estudantes por meio do teste.

O sociólogo Demétrio Magnoli, que propôs a discussão, disse que algumas respostas tidas como “corretas” estão carregadas de ideologia antiamericana, de ódio à Imprensa e de ideias das políticas racialistas, todos pontos característicos dos governos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. 
Pelo menos seis questões trariam esses vieses, segundo Magnoli e outros especialistas que se manifestaram publicamente.
Como de costume, os partidários do governo tentaram defender o tom da prova citando supostos trechos com matiz similar nas primeiras edições do exame, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é disparado o “saco de pancadas” favorito dos esquerdistas tupiniquins…
O fato óbvio é que, ainda que alguma coisa semelhante tenha acontecido no passado (embora esta seja uma afirmação no mínimo controversa), um erro não justifica o outro. 
Bem mais plantado sobre a realidade objetiva dos fatos, Magnoli cita a questão em que um texto do filósofo Marcos Nobre versa sobre “política e conservadorismo brasileiros”.
Pelo gabarito divulgado pelo Ministério da Educação, a resposta “certa” é: “A característica do sistema político brasileiro (…) obtém sua legitimidade da sustentação ideológica das desigualdades sociais”.
“O que há de fundo nessa questão é que é preciso remodelar a sociedade, o que seria feito pelo poder público, a partir de um combate das ideologias difundidas pelos meios de comunicação”, – defende Magnoli.
– “O que está por trás é que existe uma clara conspiração para difundir uma certa visão de mundo. O que está aí é o núcleo de controle da mídia. Todas as edições do ENEM vão nessa linha”.
Num artigo publicado na última segunda-feira no noticiário “O Globo”, o sociólogo criticou questões referentes à “Comissão Nacional da ‘Verdade’ (sic)” e ao “Golpe de 1964″, que transmitiram a ideia de que “a imprensa é má e o governo é bom”.
Em relação às políticas racialistas, Magnoli fez ressalvas sobre os enunciados referentes à Frente Negra Brasileira e a um parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu o Ensino de “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana” nas escolas.
Professora de História do tradicional Colégio Sacré-Coeur, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Alice da Costa concorda com o sociólogo e criticou o que chamou de “caráter catequizante” das questões de Ciências Humanas:
“A prova apresentou questões de cunho ideológico, como um gesto de catequese ideológica, pelo qual os candidatos seriam forçados a se curvar à doutrina política do governo, repetindo exaustivamente a sua ideologia, sob pena de ficar excluído do ensino superior”, – afirma.
– “Essas questões que abordam políticas sociais adestram o candidato. De alguma forma, pretendem rebater e criticar os governos neoliberais do passado.”
“Não é de hoje”, diz pesquisador
Doutor em Ciência Política e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (RJ), Simon Schwartzman elogia a análise de Magnoli e ressalta que a crítica se estende a edições anteriores do ENEM:
“O texto do Demétrio é excelente, mas não surpreendente, por que não é de hoje que o ENEM inclui questões que supostamente avaliariam o pensamento crítico, mas, na realidade, só avaliam o ‘politicamente correto’ na visão de seus autores.”
No Enem 2012, a polêmica girou em torno da prova de Linguagens. Como noticiado à época, pelo menos oito questões mostravam preocupação excessiva em defender o uso oral e coloquial da língua em detrimento da norma culta.
No mesmo ano, candidatos receberam a nota máxima em redação apresentando textos com erros grosseiros como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”(!), além de desvios graves de concordância.
Após a revelação na mídia e a indignação da sociedade, o MEC tornou os critérios de correção um pouco mais rigorosos. Na edição do fim de semana, havia duas questões sobre variação linguística. O professor Claudio Cezar Henriques, titular do Instituto de Letras da UERJ, critica esse tipo de abordagem:
“A equipe que elabora a prova de Linguagens é de sociolinguística(!), trabalha com variação linguística, não é de Português(!). A prova tem que usar textos e questões que envolvam a esfera acadêmica e a linguagem padrão contemporânea.
Mas, às vezes, o texto traz no conteúdo uma ideologia dos interesses dos partidos políticos que comandam a banca do ENEM.”
Fonte: ofielcatolico.com

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