A importância do apostolado leigo

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A CNBB proclamou o ano de 2018, o ano nacional do laicato, que vista estimular o protagonismo dos cristãos leigos na Igreja.

O apostolado em si é uma responsabilidade dos Bispos, no entanto, os leigos têm papel especial na missão a eles (Bispos) confiada pelos apóstolos. Mas com o aumento da população e da apostasia é fundamental o papel do leigo na evangelização. Sem contar, lugares que demasiadamente têm poucos sacerdotes.

A palavra “apóstolo” em grego significa enviado, mensageiro ou embaixador. Portanto, temos uma grande honra em sermos um enviado de Cristo em nossa sociedade. Quando um familiar ou amigo estuda, se dedica e consegue ser porta voz de uma grande empresa, de um importante político e assim por diante, há sim entre as pessoas próximas um grande orgulho. Agora, imagine você ser um enviado em missão pelo próprio Deus, que grande honra.

A primeira missão que o leigo tem é cuidar do cônjuge, dos filhos e dos parentes e amigos mais próximos dentro da doutrina da Igreja. Além claro, do trabalho nas comunidades, seja como leitores, pregadores, escritores, comunicadores, etc. Mas acima de tudo, viver o que se prega, ou seja, testemunhar a Cristo.

Quando se usa o termo “leigo” no ambiente eclesial, não significa que a pessoa é desinformada, sem familiaridade ou sem formação religiosa. A Igreja quando utiliza o termo “leigo”, diz que são pessoas não consagradas, ou seja, pessoas que não sejam Padres. São maridos e esposas, filhos e filhas que têm a missão de ser sal da terra e luz do mundo, conforme São Mateus 5, 13-14 “Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha.”

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no §940 diz “Sendo a característica do estado leigo viver em meio ao mundo e aos negócios seculares, são eles chamados por Deus a exercer seu apostolado no mundo a guisa de fermento, graças ao vigor de seu espírito cristão.”

Muito embora, famigerado Concílio Vaticano II tenha reforçado e de modo pastoral, tenha incentivado a participação do leigo na Igreja, isso vem desde a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Podemos ver, por exemplo, a primeira pessoa a quem Cristo apareceu ressuscitado foi a uma leiga, foi Maria Madalena, conforme São João 1, 1-2 “No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”

O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática “Lúmen Gentium” diz “É específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. (…) A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor.”

O apostolado leigo está intimamente ligado ao Sacramento do Crisma

Ao contrário do que muitos pensam os sacramentos não são eventos sociais. Você não batiza um filho para ter um “compadre”, mas sim, você batiza seu filho para que ele tenha a marca de Cristo em sua vida.

O Crisma ou Confirmação é quando recebemos o Espírito Santo, o Consolador, conforme São Lucas 24, 48-49 “Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.” Conforme podemos ver também em Atos 1, 8 “Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.”

O sacramento do Crisma para um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, é o início da missão de evangelizar, de ser realmente sal da terra. Podemos verificar no Catecismo da Igreja Católica:

“Uma vez que, como todos os fiéis, os leigos são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da confirmação, eles têm a obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente de levarmos em conta que é somente por meio deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que sem ela o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito.” CIC §90

Ninguém dá o que não tem

Ninguém pode dar aquilo que não tem, portanto, não adianta você querer levar Cristo se você não tem o Cristo em sua vida. Por isso, é fundamental formação religiosa sólida e constante, além da vida regular de oração e penitencias. Jesus que é Jesus se retirava para orar e jejuava. Se Jesus fazia isso, quem somos nós para não fazermos?!

Fazemos parte do Corpo Cristo! Muito mais que sermos da Igreja, somos Igreja! Não existe católico solitário ou independente, estamos ligados a Cristo, conforme a parábola da videira:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.” São João 15, 1-7

Obediência a Igreja

A obediência é uma característica do verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. De forma bastante equivocada, é muito comum falar do pecado original, o pecado de Adão e Eva, como se o pecado fosse terem tido relação sexual. São Tomás de Aquino dizia que Adão e Eva só não tiveram relações sexuais no Paraíso se não tiveram tempo. Relação sexual é pecado, quando praticada fora do sacramento do matrimônio. Adão e Eva pecaram por desobedecer a Deus, conforme Gênesis 2, 9 “O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.”

Devemos obedecer à hierarquia apostólica, conforme 1 Coríntios 12, 28 “Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas.”

A obediência ao Magistério da Igreja não é uma “invenção” herética, como diz alguns, mas é algo que vem dos primeiros Apóstolos. Podemos constatar isso, por exemplo, na eleição do Diácono Estevão em Atos 6, 2; 5-7 “Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus, para administrar. Esse parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos. Divulga-se sempre mais a Palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número de discípulos em Jerusalém.”

Vejamos o que diz Santa Faustina e Santo Agostinho:

“O demônio pode ocultar-se até sob o manto da humildade, mas não pode vestir o manto da obediência.” Santa Faustina Kowalska

“Prefiro errar com a Igreja do que acertar sem ela.” Santo Agostinho

Nossos dons a disposição do Reino de Deus

Os dons que Deus nos dá são irrevogáveis, conforme Romanos 11, 29 “Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.” Portanto, mesmo que você utilize seus dons para blasfemar, para servir o diabo, mesmo assim Deus não tira seus dons. Por exemplo, se você canta bem, mas canta músicas que vão contra a doutrina de Cristo, você não perde esse dom. Se você tem uma ótima oratória, fala bem em público, mas utiliza esse dom para propagar ideologias contrárias aos ensinamentos de Cristo, você não perde esse dom.

Contudo, para um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, o primeiro passo é a entrega total de sua vida a vontade de Deus e isso inclui também nossos dons, conforme 1 Pedro 4, 10-11 “Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A Ele seja dada a glória e o poder por toda a eternidade! Amém.”

Evangelizar é uma obrigação

Sinta-se honrado se você tem um chamado em seu coração se seguir a Cristo, pois não somos nós que escolhemos isso, mas é o próprio Cristo que nos escolhe, conforme São João 15, 16 “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.”

Mas não se engane, não ache que você é melhor que os outros. Meditando o Santo Evangelho, podemos constatar a predileção de Jesus pelos piores elementos da sociedade da época em que viveu. Jesus escolheu adúlteros, avarentos, pessoas que vivam em prostituição e assim por diante.

Somos os guerreiros dos últimos tempos, a nação escolhida, mas não é mérito nosso! É misericórdia de Deus, conforme nosso primeiro Papa diz em 1 Pedro 2, 9-10 “Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa. Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois povo de Deus; vós que outrora não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.”

Temos a obrigação de evangelizar, conforme São Lucas 11, 23 “Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.” Além da omissão de ser pecado, conforme São Tiago 4, 17 “Aquele que souber fazer o bem, e não o faz, peca.”

Devemos evangelizar para edificar, consolar e exortar conforme 1 Coríntios 14, 3 “Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-lo, exortá-los e consolá-los.”


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
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