O católico e o dízimo

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Muitas vezes a questão do dízimo é um assunto delicado para ser tratado por Padres e até mesmo por leigos, acredito eu, que seja por conta dos ecos da teologia da prosperidade que infelizmente chegam a nossa Igreja e que tornam a questão ainda mais desconfortável.

A palavra “dízimo” realmente se refere à décima parte, contudo, é uma lei do antigo testamento. O dízimo é mencionado até mesmo antes da Lei de Moisés, narrada no livro de Gênesis, capítulo 14, versículos de 18 a 20 “Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho, e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e terra! Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” e também no capítulo 28, versículo 22 “Esta pedra da qual fiz uma estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes” .
Na Lei de Moisés, podemos ver em Deuteronômio, capítulo 14, versículo 22 “Porás à parte o dízimo de todo fruto de tuas semeaduras, de tudo o que o teu campo produzir cada ano”, mas no antigo testamento a questão do dízimo, refere-se à escassez que a tribo de Levi passava e por isso, as outras onze tribos de Israel davam os 10% da produção para sustentá-la. Podemos ver tal fato no livro de Números, capítulo 18, versículos 21 e 24 “Quanto aos levitas, dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na tenda de reunião. Porque lhes dou como herança os dízimos que os israelitas tomarem para o Senhor. Eis por que declaro que eles não possuirão herança alguma o meio dos israelitas”.
Embora a palavra “dízimo” esteja presente em nossas Paróquias, doar 10% dos rendimentos não é mais obrigação, pois não vivemos mais sob a lei de Moisés e sim, na lei da Graça, na lei do coração. Podemos ver no Evangelho segundo São Mateus, capítulo 5, versículos 17 e 18 “Não julgueis que vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um iota (menos letra do alfabeto hebraico), um traço da Lei”, também podemos ver na carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículos 15 “Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro da inimizade que os separava (antes da Redenção, judeus e pagãos desprezavam-se mutuamente. Atualmente devem considerar-se como irmãos de uma só família), abolindo na própria carne a Lei, os preceitos e as prescrições” .
O Código de Direito Canônico vai dizer no número 222 “§ 1. Os fiéis têm a obrigação de prover às necessidades de Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade, e para a honesta sustentação dos seus ministros.§ 2. Têm ainda a obrigação de promover a justiça social e, lembrados do preceito do Senhor, de auxiliar os pobres com os seus próprios recursos”  e no parágrafo 2043 no Catecismo da Igreja vai dizer “O quinto mandamento (ajudar a Igreja em suas necessidades) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades”.
Portanto meu irmão e minha irmã, temos a obrigação sim, de fazer doações regulares para manter a Igreja e suas obras sociais. Talvez você não possa devolver os 10%, não se preocupe! Devolva o que pode, ou quem sabe, você possa devolver até mais que os 10%, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo por isso.
Importante lembrar que na segunda carta de São Paulo a Coríntios, capítulo 9, versículos 6 a 8 vai dizer “Convém lembrar: aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará. Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria. Poderoso é Deus para cumular-vos com toda espécie de benefícios, para que, tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda a espécie boas obras”.
No evangelho segundo São Lucas, capítulo 21, versículos de 1 a 4 vai confirmar dizendo: “Levantando os olhos, viu Jesus os ricos que deitavam suas ofertas no cofre do templo. Viu também uma viúva pobrezinha deitar duas pequeninas moedas e disse: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento”. Podemos e devemos fazer uma reflexão profunda dessa passagem da Sagrada Escritura, pois deixamos sempre as sobras para Deus, não só a financeira, mas também nosso tempo, temos tempo e dinheiro para tudo, menos para Deus.
São Tomás de Aquino dizia que devolver o dízimo é uma questão natural, pois é evidente que precisamos manter o governo e sustentar os militares e por isso, devemos também sustentar os ministros do culto. Também podemos ver no evangelho segundo São Lucas, capítulo 10, versículo 7 que vai dizer “Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário”, ou seja, os nossos Ministros são dignos do salário que recebem por fazerem a obra de Deus.
A entrega do dízimo na casa do Senhor deve ser acima de tudo um ato de amor a Deus, um sinal claro e concreto e de que tudo que temos é permissão e bênção de Deus. A Igreja tem suas necessidades materiais que só podem ser atendidas com as ofertas da comunidade.
Podemos considerar também que as doações para obras de caridade da Igreja também sejam consideradas como dízimo, embora a maior parte deva ser devolvida a paróquia que frequenta, pois é lá que você participará das Santas Missas, batizará seu filho, etc. Além do mais, sempre é muito bom participar de uma Igreja limpa, organizada e com um bom som, por exemplo, não é mesmo?! A sua contribuição é fundamental para isso, pois os anjos do Senhor não descem do céu para pagar talão de água, luz, manutenção predial e assim por diante. Essa obrigação é minha e sua! É nossa obrigação!
A caridade deve ser uma característica do cristão, pois não nos justificamos apenas pela fé conforme podemos ver em Tiago, capítulo 2, versículos 14 a 17 “De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”, mas não der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma”.
Uma questão importante também frisar aqui, é que a Igreja Católica Apostólica Romana é maior entidade de caridade do mundo. Muitas acusações falsas propagam principalmente na internet, de que a Igreja não faz caridade e que só ostenta a riqueza. Mas sempre que pensar em qualquer coisa que remeta a caridade e ajuda ao próximo, tenha certeza que foi a Igreja que iniciou, como por exemplo, hospitais, orfanatos, casas de apoio, asilos, etc. Atualmente a Igreja mantém as seguintes obras sociais no mundo:

Ásia

  • 1.076 hospitais
  • 3.400 dispensários
  • 330 leprosários
  • 1.685 asilos
  • 3.900 orfanatos
  • 2.960 jardins de infância

África

  • 964 hospitais
  • 5.000 dispensários
  • 
260 leprosários
  • 
650 asilos
  • 800 orfanatos
  • 
2.000 jardins de infância

América

  • 1.900 hospitais
  • 5.400 dispensários
  • 50 leprosários
  • 3.700 asilos
  • 
2.500 orfanatos
  • 
4.200 jardins de infância

Oceania

  • 
170 hospitais
  • 
180 dispensários
  • 
1 leprosário
  • 360 asilos
  • 60 orfanatos
  • 
90 jardins de infância

Europa

  • 1.230 hospitais
  • 2.450 dispensários
  • 
4 Leprosários
  • 
7.970 asilos
  • 2.370 jardins de infância

Especificamente a Paróquia Sagrada Família, é mantenedora da Creche Coruja, que atualmente cuida de 112 crianças, além do Posto Médico, Posto Odontológico e ainda distribui cestas básicas para pelo menos 450 famílias carentes, isso tudo sem nenhum custo para os beneficiados. Não podemos deixar de citar também, o exemplar trabalho feito pela Pastoral de Rua.
Além de todas essas obras, está sendo iniciado uma nova obra, a casa Madre Teresa, que visa acolher pessoas que veem do interior do estado para tratamento médico e não têm onde ficar.
Faço aqui as palavras do Diácono Nelsinho Corrêa, em uma das vezes que tive a oportunidade de estar na Canção Nova “vamos tirar o “escorpiãozão” do bolso e ajudar”. 
Ajude a Igreja, pois omissão também é pecado, como podemos ver em Tiago, capítulo 4, versículo 17 “Aquele que souber fazer o bem, e não o faz, peca”.


A Paz!

CAMINHO SAGRADO
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