Os Novíssimos – Céu, Inferno e Purgatório

Tempo de leitura: 16 minutos

Cada vez menos se ouve falar do que a Igreja chama de Novíssimos, que são as coisas que acontecerão com os homens após a morte, ou seja, o destino eterno, o céu, a o inferno e o purgatório.

Vivemos como se nunca fossemos morrer, como se nossa vida aqui fosse eterna. Como se nossa vida se resumisse apenas na vida imanente, ou seja, na vida terrestre. Todo ser humano tem a vida transcendente, ou seja, a vida eterna após a morte.

Essa realidade é atestada claramente pela Bíblia, pelo Catecismo da Igreja Católica, pelos Padres da Igreja e pelos Doutores da Igreja, como por exemplo, São Tomás de Aquino na Suma Contra os Gentios. É uma verdade de fé! Algo que invariavelmente todos nós passaremos, seja uma pessoa que viveu buscando ser de Deus nessa vida, seja na vida do ateu mais convicto que você conheça. É algo que esta muito a quem da vontade humana, não há como você e eu escolher querer ou não passar por isso, nós vamos passar.

A Bíblia inteira nos orienta para vivermos bem nessa vida nos preparando para a morada eterna, podemos ver em 2 Coríntios 5, 6-8 “Por conseguinte, estamos sempre confiantes, sabendo que, enquanto habitamos neste corpo, estamos for à da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão… Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão desse corpo para ir morar junto do Senhor.”

Dentro da exegese protestante, algumas denominações afirmam que após a morte a alma do homem fica dormindo aguardando o retorno glorioso de Cristo. Todavia, não é o que diz a Bíblia na passagem da crucificação de Jesus narrada em São Lucas 23, 43 “Ele respondeu: Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.”

São Paulo também afirma isso na carta aos Hebreus no capítulo 9, versículo 7 “E como é fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento, do mesmo modo, Cristo foi oferecido uma vez por todas para tirar os pecados da multidão.”

São Tomás de Aquino na Suma contra os Gentios afirma que imediatamente após a morte as almas humanas recebem merecidamente o prêmio ou o castigo. Ainda segundo São Tomás, é a capacidade que a alma humana tem de ver e contemplar a Deus e o castigo, conforme podemos ver também em Joel 4, 7 “Eis que os arranco do lugar onde vós o vendestes, e farei recair vossos atos sobre vossas cabeças.”

Vejamos a seguir sobre o prêmio e o castigo que nos espera.

 

Inferno

Para muitos o inferno e o demônio não existem mais ou talvez nunca tenham existido, afirmam ser apenas figuras de linguagem bíblica. Infelizmente esse pensamento não é difícil de encontrar, inclusive, com tristeza digo isso entre alguns Padres Católicos.

Mas não é o que diz a Bíblia! O inferno, no Novo Testamento, indica o lugar de tormentos, designado com vários nomes: Geena, forno ou lago de fogo, abismo, tártaro, como podemos ver em São Mateus 13, 40-42 “Da mesma forma que se junta o joio e se queima no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles apanharão do seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade e os lançarão na fornalha ardente. Ali haverá choro e ranger de dentes.

São muitas passagens bíblicas que tratam do inferno, mas podemos destacar também em Apocalipse 19, 20 “A Besta, porém, foi capturada juntamente com o falso profeta, o qual, em presença da Besta, tinha realizado sinais com que seduzira os que haviam recebido a marca da Besta e adorado a sua imagem: ambos foram lançados vivos no lago de fogo, que arde com enxofre.

A principal pena dos condenados ao inferno é a privação de ver Deus, conforme ver em São Mateus 7, 23; São Mateus 25, 10 e São Mateus 25, 41 “Em seguida, dirá aos que estiver a sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos.”

A Bíblia afirma que no inferno é local onde haverá choro e ranger de dentes, é o local que eterna e ininterruptamente haverá sofrimento, conforme podemos ver em São Marcos 9, 48 “onde o verme não morre e onde o fogo não se extingue”.

Santa Faustina, em seu diário narra à visão do inferno e os tormentos. No diário, Santa Faustina afirma ser um local de grande castigo e de imensa extensão. Os tipos de tormento que ela viu:

  • O primeiro é a ausência total e eterna de Deus;
  • O Segundo é o remorso de consciência;
  • O terceiro é que esse destino nunca mudará;
  • O quarto tormento é o fogo, que atravessa alma, mas não destrói. Um tormento terrível, um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;
  • O quinto é a contínua escuridão, onde os demônios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu;
  • O sexto é a contínua companhia do demônio;
  • O sétimo tormento, o terrível desespero, o ódio a Deus, maldições e blasfêmias.

Santa Faustina ainda diz que há tormentos específicos para cada alma. A alma é tormentada com o que pecou de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos e castigos, onde um tormento não se distingue do outro.

Algumas pessoas que não buscam o caminho com Deus justificam dizendo que se Deus é bom mesmo não o mandará para o inferno. Mas Deus não manda ninguém pro inferno, cada tem total liberdade de escolher seu caminho, o que não se pode esquecer é que tudo que se planta, colhe. Todas as nossas ações e decisões mais hora ou menos hora terão o seu resultado específico.

São Paulo diz na carta aos Gálatas 6, 7-8 “Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá: quem semear na carne, da carne colherá corrupção, quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna.”

Nossa fé nos garante que se morrermos com um pecado mortal que seja, está condenado eternamente ao inferno, sem volta, conforme podemos ver no §1035 do Catecismo da Igreja Católica “O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas do que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte para os infernos, onde sofre as penas do inferno, o fogo eterno. A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em que o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e as quais aspira.”

Pecado mortal é o pecado contra qualquer um dos dez mandamentos. Por isso, a importância sempre de uma vida reta, de constante busca pela santidade e de confissões sacramentais regulares.

 

Purgatório

Infelizmente fala-se muito pouco do Purgatório em pregações e encontros realizados por nós, ao passo também que a idéia de Purgatório é contestada pelos irmãos protestantes. Mas vamos entender um pouco mais sobre a doutrina da Igreja Católica.

O pecado gera duas coisas, a culpa e a conseqüências. A culpa é perdoada por Deus através do Sacramento da Confissão (conforme São João 20, 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos), no entanto a pena permanece, ou seja, a conseqüência do pecado. Vamos pegar o exemplo de quando uma pessoa assassina a outra, e que essa pessoa tenha o perdão dos familiares da vítima e até de Deus, mas a conseqüência, ou seja, a pena fica. Ela, mesmo com o perdão, terá que responder perante a justiça.

Assim é o pecado, temos o perdão, mas as penas continuam. Inclusive o pecado original narrado em Gênesis 3, 16-19 “Disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio.” E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar”, onde temos o perdão de Deus através do Sacramento do Batismo, mas as conseqüências ficam, ou seja, temos as tribulações desses mundos, mesmo com o perdão. Nós pagamos com as penas de nossos pecados nessa vida, com nossas penitências e mortificações ou então, se morrermos em estado de graça, ou seja, sem nenhum pecado mortal confessado, vamos para o local chamado Purgatório, onde iremos pagar nossas penas temporais.

Ao contrário do que muitos dizem, o Purgatório tem fundamentação bíblica, como podemos ver em 1 Coríntios 3, 15 “Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo” e também no Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 25-26 “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. A Igreja entende que seja um local temporário, pois como a própria Bíblia diz, o fogo do inferno é inextinguível, conforme São Lucas 3, 17 “Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível”, em São Mateus 3, 12 “Tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível” e também em São Marcos 9, 43 “Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a Geena, para o fogo inextinguível”.

A alma, quando condenada, é uma condenação eterna, não há volta, não é uma pena temporária como podemos ver em 2 Tessalonicenses 1, 8-9 “por entre chamas de fogo, para fazer justiça àqueles que não reconhecem a Deus e aos que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da face do Senhor, e da sua suprema glória”.

Bom, mas não tem na Bíblia o nome “Purgatório”, pois bem, esse nome foi criado pela Igreja, para facilitar o entendimento dos fiéis. Na Bíblia também não tem o nomes como “Bíblia” e “Trindade”, mas são nomes utilizados, criados para facilitar o entendimento. A Igreja formulou a doutrina da fé no Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento, fazendo referência aos textos da Bíblia mencionados no artigo.

Por mais que tenhamos uma vida de santidade, retidão e busca sincera de Deus, se refletir com sinceridade e humildade não está em condições de estar face a face com Jesus, com nosso Deus, pois a Santidade de Deus é algo imenso, incompreensível a inteligência humana, podemos ver em várias passagens bíblicas como, por exemplo, Isaías 6, 3 “Suas vozes se revezavam e diziam: Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!” e também no livro do Apocalipse 4, 8 “Estes Animais tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, o que é o que era e o que deve voltar”.

O Purgatório é essa fase transitória da nossa vida terrena, para a vida na Presença de Deus, portanto, a alma que esta no Purgatório só tem um destino, o céu. Ela esta em estado de santificação para poder estar na Presença de Deus.

Por isso rezamos as Missas para as almas do Purgatório, para nossos entes queridos, pois a Santa Missa em memória do falecido além de ajudar a abreviar esse período, é um refrigério do fogo do Purgatório (conforme 1 Co 3, 15 e Mt 5, 25-26).

Nossos irmãos protestantes questionam muito a oração pelos mortos, dizem não ser bíblico, no entanto é bíblico sim! Está em um livro que não tem na Bíblia protestante, pois a Bíblia protestante tem 7 livros a menos que a Bíblia Católica está no livro de 2 Macabeus 12, 42-46 “e puseram-se em oração, para implorar-lhe o perdão completo do pecado cometido. O nobre Judas falou à multidão, exortando-a a evitar qualquer transgressão, ao ver diante dos olhos o mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”.

Portanto meu irmão e minha irmã, o Purgatório não é uma invenção da Igreja Católica Apostólica Romana e tão pouco uma heresia, é sim, uma realidade de nossa fé, evidenciada nas Escrituras Sagradas.

 

Céu

O céu é o prêmio para as almas piedosas e buscaram a santidade e andar com Deus aqui na nessa vida e que morreram e odor de santidade e/ou para aqueles que passaram pelo Purgatório e purgaram todos os pecados.

Nosso Senhor Jesus Cristo diz em São João 14, 2 “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar.”

No sermão da montanha, Nosso Senhor fala das bem aventuranças, conforme São Mateus 5, 1-12:

“Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes os mansos porque herdarão a terra. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros no coração porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Felizes sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.”

O céu é o local onde não mais haverá qualquer tipo de mentiras, perseguições falsidades e injustiças! Todas as mazelas dessa vida presente não mais existirão!

É da vontade Deus que nós vamos para o céu, conforme São Mateus 18, 14 “Assim também, não é da vontade de vosso Pai, que estás nos céus, que um destes pequeninos se perca.”

No céu estaremos em eterna e constante comunhão e adoração a Deus, conforme podemos ver em Apocalipse 7, 9-17:

“Depois disso, eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados com vestes brancas e com palmas na mão. E, em alta voz, proclamavam: A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro!

E todos os Anjos que estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro viventes se prostraram diante do trono, com a face por terra, para adorar a Deus. E diziam:

Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém!

Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: Estes que estão trajados com vestes brancas, quem são e de onde vieram? Eu lhe respondei: Meu senhor, és tu quem o sabe! Ele, então me explicou: Estes são os que vêm da grande tribulação: lavaram suas vestes e alvejaram-nas no sangue do Cordeiro. É por isso que estão diante do trono de Deus, servindo-o dia e noite em seu templo. Aquele que está sentado no trono estenderá sua tenda sobre eles: nunca mais terão fome, nem sede, o sol nunca mais os afligirá, nem qualquer calor ardente; pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, conduzindo-os até as fontes de água da vida. E Deus enxugará toda a lágrima de seus olhos.”


A Paz!

Fernando Y. Kanizawa
[email protected]

CAMINHO SAGRADO
www.caminhosagrado.com
www.facebook.com/caminhosagradoweb
@jesusmariajosek
www.instagram.com/caminhosagradodosenhor

 

Comments

comments

Cadastre seu e-mail para receber nossas publicações:

Delivered by FeedBurner

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *